Zagueiro de condomínio? Rodrigo Caio rebate rótulo e se rende à torcida do Flamengo: 'Diferente de tudo'

Em entrevista exclusiva ao CopaLibertadores.com. zagueiro comenta a transformação de sua imagem com a chegada ao Rio de Janeiro e o carinho dos flamenguistas

Por Marcio Porto, Raísa Simplicio e Ricardo Taves

Demorou pouco para Rodrigo Caio se sentir em casa no Flamengo. Apesar dos 13 anos de história no São Paulo, o zagueiro já desfruta da vida no Rio do Janeiro e do carinho instantâneo recebido da Nação, que ele considera "diferente de tudo que já viu". Foram pouco mais de seis meses, suficientes para Rodrigo já falar com admiração do clube que o acolheu. 
Titular absoluto da equipe comandada pelo português Jorge Jesus, Rodrigo representa uma das forças do Flamengo na CONMEBOL Libertadores, o tão esperado título que não vem desde 1981 para os flamenguistas.  

"Sou muito agradecido pela oportunidade que eu tive, de vim para um grande centro, um clube gigantesco. Poucos tem essa oportunidade. E eu só cheguei aqui por minhas condições, pela minha dedicação, meu trabalho, honestidade e profissionalismo. Fico muito feliz de estar construindo uma história no Flamengo. Ainda tenho muita coisa para crescer, evoluir e fico feliz pelo reconhecimento em pouco tempo, com o carinho de toda essa Nação, afirmou Rodrigo, em entrevista ao CopaLibertadores.com. 

Rodrigo Caio especial Libertadores - Flamengo

Rodrigo desfruta do carinho da torcida, que de cara passou a exaltá-lo por boas atuações dentro de campo. No Rio de Janeiro, ele encontrou a sensação de jogar com o Maracanã lotado a seu favor.

"Posso dizer que é diferente de tudo o que já vi. Em questão de paixão, de vibração, de intensidade em cada jogo. Da forma eles encaram o jogo mais importante do ano e o que para a gente não é tão importante. E lembro de algo que ficou marcado para mim. Foi minha estreia contra o Bangu, com 48 mil pessoas no estádio. E ali pensei: "É diferente mesmo", analisou o zagueiro, encantado com a torcida do Flamengo

"Todos falavam, mas eu falava: "Será que é isso mesmo?" E quando você veste essa camisa, ali você sente no Maracanã, você sente que é diferente. Ainda mais quando eles se sentem representados dentro de campo. A gente sai dali com uma alegria muito grande, uma vontade muito grande de proporcionar mais isso para a torcida. Acho que quando o jogador chega e veste essa camisa, ele se transforma mesmo", completou.

Amparado pelos rubro-negros, Rodrigo assiste a uma transformação de sua imagem. Ele saiu do São Paulo com o rótulo de "zagueiro de condomínio". Ele rebate e diz que é fruto do desconhecimento das pessoas. 

"Muitas vezes a gente é rotulado de coisas que fogem do nosso controle ainda mais quando a pessoa não me conhece suficiente, não conhece a minha história, de onde eu vim, o que passei para chegar onde cheguei. Mas algo que eu sempre procurei fazer é trabalhar muito, esquecer muitas coisas que são faladas. O mais importante é sempre estar provando a você mesmo o que você é capaz, provando que você é bom suficiente para estar onde você está", defende-se. 

Treinadores que trabalharam com Rodrigo Caio no São Paulo relatavam um jogador muito compromisso. Comandante do Tricolor durante o ano de 2015, o colombiano Juan Carlos Osorio dizia que Rodrigo deveria jogar rúgbi, pela sua lealdade e a forma como se entregava em campo. Não à toa, é comum ver o jogador deixando os jogos com machucados, frutos das divididas. Ele vê as feridas como reflexo de sua fibra dentro de campo.

Rodrigo Caio especial Libertadores - Flamengo

"As marcas nos mostram o quanto valente nós somos, o quanto dedicados nós somos. Tenho muito orgulho do que fui, do que me tornei. Mais importante é seguir trabalhando da mesma forma, com seriedade, profissionalismo. Infelizmente na nossa vida não vai ser todas as pessoas que vão gostar da gente, pelo contrário. mas o mais importante é a gente seguir nosso trabalho com dedicação e honestidade", diz. 

A transformação vem de berço, segundo Rodrigo. E é o que ele tenta fazer com o manto rubro-negro.

"Eu deixo a minha vida dentro de campo. Sempre fui assim, um cara de muita entrega. E o futebol para mim representa muita coisa. Sonho que sempre tive desde moleque, sonho da minha família e dentro de campo a gente se transforma em algo que a gente vai em busca de nossos objetivos para fazer o melhor sempre, e o mais importante, conquistar as vitórias". 

Nesta quarta-feira, o Flamengo visita o Emelec pelas oitavas de final da Libertadores. O clube brasileiro vai precisar de muita raça para voltar do Equador com um resultado positivo. Rodrigo Caio sabe e está disposto a mostrar que o rótulo de zagueiro do condomínio está enterrado.

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