Tiago Nunes projeta o Athletico contra o Boca na Libertadores: 'Teremos de ter um jogo muito encaixado'

Técnico da nova geração lida com sucesso após conquista da Sul-Americana e tenta levar o Furacão longe na Libertadores. Em papo exclusivo, ele detalha força dos gringos no elenco

Por Ricardo Taves

Tiago Nunes é um técnico da chamada nova geração de treinadores brasileiros. Esse “grupo” ora criticado, ora exaltado, “recebeu” o gaúcho de 39 anos em 27 de junho de 2018, quando Fernando Diniz acabou demitido do comando do Athletico Paranaense. Campeão paranaense com a equipe sub-23, o comandante athleticano assumiu um grupo que brigava contra o rebaixamento no Brasileirão e acabou consagrado ao conquistar o título da CONMEBOL Sul-Americana no fim do ano contra o Junior Barranquilla (COL).

Da fala tranquila do simpático treinador ouvimos um discurso de foco, preparação e principalmente conhecimento. Sem fugir da responsabilidade de um campeão continental, Nunes ressalta que o crescimento do clube é proporcional ao da expectativa, além de mirar uma boa participação na Copa. “Athletico trabalha muito com a continuidade e o fato de termos mantido uma base traz confiança. Aumenta o nível de expectativa, por resultados, mas temos conseguido dosar isso também da melhor forma. A gente tem mesclado, é um clube formador, a gente tem conseguido colocar muitos jovens para jogar. A gente chega bem, com uma energia positiva para que a gente possa não só fazer uma grande competição, como manter uma coisa importante para o clube, que é a formação de jovens”, explica.

Prestes a enfrentar o tradicional Boca Juniors na Arena da Baixada, em duelo nesta terça-feira, o treinador atleticano aposta nos experientes Lucho González e Marco Ruben para dar “cancha” à equipe. A participação dos argentinos não se resume apenas às quatro linhas. "É uma figura emblemática (Lucho). É um dos argentinos mais vitoriosos da história do país, com número de títulos. Ele tem importância fundamental na formação de jogadores, dentro da estrutura de time e de clube. Ele é respeitado a nível internacional e nos traz uma bagagem indiscutível. O Marco é um atleta que por já ter disputado essa competição várias vezes, por ter jogado na Europa, ele traz muito do timing do jogo, essa experiência para os mais jovens. Ele fala a língua espanhola, então ajuda não só com os árbitros, mas com adversário. Traz essa maturidade que é o equilíbrio para um clube que aposta tanto em atletas jovens.”

Sobre o duelo, o técnico exalta a competitividade xeneize e dá a receita para vencer em casa. "A gente vem acompanhando (o Boca) há algum tempo. Equipe extremamente competitiva, e eles sabem jogar essa competição. Encara com muita firmeza cada jogo, marca muito forte, transições muito rápidas. Teremos de ter um jogo muito encaixado, tecnicamente muito bom, para sair superior.”

Confira outras respostas do treinador:

Qual sentimento de ter levado o Athletico à conquista da CONMEBOL Sul-Americana?
A gente começa a ter um pouco de noção quando participa de eventos. Que temos outros treinadores de equipes internacionais, treinadores que enfrentamos e a gente vê o tamanho da valorização nos dada por essa conquista. Foi uma noite especial, mágica, por tudo que foi, e vai ficar marcada para sempre.

Tiago Nunes - Athletico Paranaense

Cultura do futebol brasileiro ainda muito distante do resto do continente?
Estamos equiparando. São escolas com questões táticas muito presentes, marcantes. E fomos forjados com a questão técnica, individual, temos muitos jogadores qualificados. Mas precisamos aprimorar e melhorarmos a questão tática e principalmente na competitividade para conseguirmos ser o país que se sobressaia. 

Tem escola contra a qual o futebol brasileiro se encaixa melhor?
Penso que o futebol colombiano, busca sempre muito ataque, alegre como no Brasil, e aí a gente se parece e fica um jogo muito franco. As outras escolas respeitam muito, e tentam tirar proveito na competitividade. 

Análise do grupo na Libertadores.
Um grupo equilibrado, o Boca pela tradição, por ser o vice, naturalmente tem o favoritismo no grupo, mas sabemos que isso se resolve no campo. O Wilstermann tem isso de ser duas equipes, de jogar fora e em casa, com a altitude. E o Tolima vem crescendo muito. Vamos disputar até a última rodada. 

Qual o peso de jogar Arena na competição?
A questão do campo é muito mais de como as pessoas enxergam de fora, do que de resultados práticos. O Athletico sempre foi muito forte, mesmo antes do sintético, com torcida atuante. Prova disso é a própria final da Sul-americana, o Junior nos enfrentou muito forte, em nenhum momento reclamou. É um grande muito bom, sem fatores que possam atrapalhar o andamento da partida. 

Qual a importância de não jogar o paranaense com titulares?
A longevidade da temporada. A gente começa jogos oficiais mais tarde, realizamos menos jogos na temporada, desgasta menos, e temos longevidade maior para o fim do ano. Aconteceu ano passado, que terminou o ano muito bem. Mas ao mesmo tempo temos dificuldade no início, com poucos jogos, sem ritmo de jogo, e aí precisamos compensar com nível de concentração muito alto. 

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