Sonho de uma noite rubro-negra na CONMEBOL Libertadores

O torcedor do Flamengo agonizou nos últimos dias e foi ao alívio com a classificação nos pênaltis sobre o Emelec

Por Ricardo Taves

O torcedor rubro-negro se nutriu dos piores sentimentos. Da derrota para o Emelec há uma semana, do filme de eliminações doloridas passando pela cabeça, da descrença com esperança e do inevitável medo de falhar, ele viveu os dias que antecederam a derradeira batalha. Tudo isso acabou quando essa imensa Nação acordou e vestiu a camisa consagrada por ela como Manto Sagrado. O que era temor virou raça, o medo virou força e a missão ganhou palavras escritas em vermelho e preto: “Jogaremos juntos”. 

E foi assim. Gagibol comandava dentro do gramado o empurrão que vinha das arquibancadas. 1-0, 2-0. 67 mil olhares, como num passe de mágica, acreditavam na classificação, mas agora sem medo. Tudo parecia escrito como no melhor dos roteiros. O futebol é assim, nos iludimos facilmente, sonhamos feito crianças. Não seria fácil.

E não foi. A pressão inicial já não surtia o mesmo efeito, as pernas já não obedeciam com tanta precisão o que as cabeças pensavam. Os mais de 70 minutos que separaram o segundo gol rubro-negro do apito final passaram machucando os corações de brasileiros e equatorianos nas arquibancadas. O Emelec era valente, o Flamengo insistia e o épico se desenhava.

Gabigol Flamengo Emelec Libertadores 31072019

Não se tratava de quem queria mais, de quem se dedicava mais. Nessas horas não há otimismo, o oba-oba não encontra lugar. Você diz o que quer, mas te custa acreditar. 

Dez cobranças. O setor norte do Maracanã recebe a decisão. De Arrascaeta coloca o Flamengo na frente, Ângulo empata. Bruno Henrique na rede, Cortez também. Renê alivia os rubro-negros e Diego Alves imprime os primeiros suspiros de alívio nos 40 milhões de corações. Rafinha encaminha e o goleiro conhecido por parar os mais famosos cobradores do futebol mundial garante a classificação.

O Flamengo está nas quartas de final da CONMEBOL Libertadores após nove anos e encontrará em dois históricos duelos o Internacional, que com muita justiça sonha com o tri. Um encontro de gigantes que levará um campeão continental às semifinais.

Mas hoje o rubro-negro só quer sonhar. Dessa vez sem medo.

Fechar