River Plate x Internacional: o Monumental retorno de D'Alessandro

Camisa 10 reencontra o palco onde se formou como homem e jogador, e relembra as passagens mais marcantes em entrevista exclusiva. De gandula a vilão, uma relação eterna

Voltar ao Monumental de Nuñez para D'Alessandro não significa apenas estar novamente no local onde iniciou sua carreira. É revisitar as memórias mais intensas e importantes de sua juventude e formação como jogador de futebol. No estádio ele não só jogou, como estudou e foi gandula, inclusive numa final de Copa CONMEBOL Libertadores. 

D'Alessandro chegou ao River Plate (ARG) em 1989, aos oito anos de idade. Era um garoto com um único sonho: se tornar jogador de futebol profissional. Saiu em 2003, com apenas 22, mas já ídolo do Millonários, campeão argentino e rumo ao futebol europeu, para o Wolfsburg, da Alemanha. 

A caminhada não foi fácil e talvez explique o choro do argentino ao encontrar seus pais em Buenos Aires nesta segunda-feira, na véspera do confronto entre River e Internacional pela Libertadores a partir das 21h30 desta terça-feira. "Seguramente vai ser muito emotivo, faz tempo que não volto, até porque confronto com o River Plate só agora. Sempre tentei evitar, torci para evitar o River em qualquer circunstância. Sou um cara do clube, praticamente 15 anos dentro do River. Naquele momento da minha adolescência, foi o clube que me criou como atleta, como pessoa, que me revelou, me abriu as portas no mundo futebol. Sim, vai ser diferente, mas vestindo a camisa do nosso Inter e tentando fazer de tudo para buscar um grande resultado", afirmou D'Alessandro, em entrevista exclusiva ao copalibertadores.com.

D'Alessandro com a camisa do River

Na formação citada por D'Ale, impossível não se lembrar dos dias em que se dividia entre os treinamentos e a escola, dentro do próprio estádio do River. Pela manhã, o talentoso garoto saia com os companheiros de time para fazer o que mais gostava: jogar bola. À tarde, retornavam de ônibus ao Monumental para estudar. Nesse percurso, criou-se laços para sempre. Vem dessa época a parceria com Eduardo Coudet, atual técnico do Racing (ARG), para o qual D'Ale torcia na infância, em paixão herdada do pai. Coudet dividia as quadras do River com o futuro companheiro de profissional e foi quem batizou a "La Boba", o drible clássico do camisa 10 do Inter. 

À beira do campo, D'Ale sonhava com o momento em que estaria dentro, como parte daquele espetáculo proporcionado pela apaixonada torcida do River. Durante anos, foi gandula oficial do clube. Devolvia ao jogo a bola com a qual dividia tanta intimidade. Uma das noites mais especiais foi em 1996, quando trabalhou na final da Copa Libertadores. O River foi campeão contra o América de Cali (COL) e o garoto colocou na cabeça que um dia seria a sua vez. Não foi pelo clube argentino, mas pelo Inter em 2010. 

D'Alessandro levanta o troféu da Copa Libertadores conquistada pelo Internacional em 2010

A emoção também toma conta do jogador porque ele sabe que, aos 38 anos, essa pode ser sua última vez no Monumental como atleta. E logo com a camisa do Inter, único clube capaz de dividir seu coração com o carinho e gratidão mantidos pelo River. 

Já a primeira vez como adversário de seu clube formador não traz memórias tão doces. Por ironia do destino, completam-se 11 anos na próxima quinta-feira do confronto entre River Plate e San Lorenzo, pelas oitavas de final da Libertadores. Com desdobramentos épicos, o duelo acabou com classificação do San Lorenzo de D'Alessandro após empate por 2 a 2 na casa do River. Magoado com os dirigentes do Millonários, D'Ale comemorou efusivamente os gols de seu time na época e revoltou torcedores do River. "No momento em que tive a oportunidade de voltar ao clube em 2008, as pessoas que comandavam não quiseram, não fizeram nada para eu voltar. Então a mensagem foi muito clara. Obviamente, entendo o torcedor do River de não ter gostado naquele momento de alguma coisa, mas ficou muito claro para quem era a mensagem, ficou muito claro o que eu pensava. Sempre pedi desculpas, que não foi contra o torcedor, e acho que no fundo ele entende que a mensagem foi claríssima", relembra o craque. 

D'Alessandro voltou a jogar com a camisa do River em 2016, emprestado pelo Inter. Ele disputou mais uma Libertadores, as arestas foram aparadas e voltou ao clube gaúcho, onde deve encerrar a carreira como figura ainda maior. Antes, porém, sonha com a conquista de mais uma Copa, já inesquecível e eterna pelo reencontro especial com seu lar. 

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