Rival na final de 2019, Enzo Pérez conta como Jorge Jesus transformou sua carreira

Meio-campista do River Plate foi treinador pelo português no Benfica e guarda ensinamentos até hoje. Técnico do Flamengo venceu a Libertadores do ano passado

O legado do técnico Jorge Jesus, do Flamengo, vai além de suas conquistas dentro de campo. Atual campeão da CONMEBOL Libertadores, da Recopa Sul-Americana, do Campeonato Brasileiro e da Supercopa do Brasil, o português participou de forma considerável na formação de grandes jogadores sul-americanos. Um deles é Enzo Pérez, astro do poderoso River Plate-ARG.

Aos 34 anos, Enzo caminha para a parte final de sua carreira com um currículo recheado de conquistas. Venceu duas Libertadores (2009, pelo Estudiantes, e 2018, pelo River), uma Recopa (2019), mas a maior parte de suas conquistas se deu em Portugal e sob o comando de Jorge Jesus. O meio-campista defendeu o Benfica de 2011 a 2014, todo período dirigido pelo atual técnico do Flamengo. E os ensinamentos dessa época foram definitivos, como Enzo contou em entrevista exclusiva ao CopaLibertadores.com.

"Eu lembro que tinha viajado para a Argentina porque havia sido convocado para a seleção. Quando voltei, tinham vendido um jogador, no caso Witsel, e estavam para vender Javi García. Em Portugal, a janela de transferências estava fechada. Cheguei e ele me chamou no escritório e conversamos. Ele me disse: “Olhe, o único meia que tenho que pode fazer a função que eu quero, por características, é você”. Ele me perguntou: “Preparado? Eu te vejo em condições.” Técnicos também adoçam seus ouvidos", afirmou Enzo.

"Eu disse que não teria problemas em fazer, mas que ele teria de entender que, em toda minha carreira, ou parte dela, joguei por fora e estar dentro a perspectiva muda totalmente. Ele me disse: “Fique tranquilo que vou cuidar que sua carreira melhore e seja mais longa”. Bem, não tem problema. Todos os dias, mas todos os dias, ele me mostrava vídeos dos camisas 5 que tinha treinado. Qual é o funcionamento. Jogamos com um 4-4-2. Ele foi marcando coisas para os treinos. Eu lembro que ele fazia coisas que seria para trabalho em equipe, mas apenas para mim, para que eu me posicionasse", completou o meio-campista. 

Enzo atuou boa parte da carreira como meio-campista aberto e depois de Jesus passou a jogar mais centralizado, na construção das jogadas. Foi assim que ele atuou na final da Libertadores do ano passado em Lima, onde reencontrou Jesus. Comandado por Marcelo Gallardo, Pérez foi um dos melhores em campo, mas não foi capaz de evitar a derrota do River para o Flamengo, por 2 a 1 de virada. O título consagrou o "obsessivo" Jorge Jesus, como o argentino define o técnico.

Benfica - Enzo Pérez e Jorge Jesus

"Um obsessivo, um louco. Eu também me lembro de jogos, os primeiros quatro ou cinco, em que eu corria para todos os lados e nunca estava perto da bola. Eu corria mal no campo. Quando queria tocar na bola, havia dois ou três jogadores da equipe rival em cima, então eu a perdia, ou fazia falta, e não conseguia levar a bola para os atacantes, porque eu ocupava mal os espaços. Não tinha a noção que tenho hoje, com o passar do tempo. Eu lembro que terminavam os jogos, ele vinha e me abraçava e dizia: “Hoje você arrebentou, foi um fenômeno”. Mas dentro de mim, eu dizia: “Fui um desastre”. Eu saía exausto. Em vez de tocar 50 ou 60 vezes na bola, eu tocava 10. E das 10, cinco tinha tocado mal. Então, houve predisposição minha e dele para seguir melhorando e melhorando. Foi todo 2013 assim, e 2014 igual. Em 2014, fui eleito o melhor jogador da Liga na posição. A verdade é que ele ter me entendido, e eu entendido a ele, foi muito bom", analisou Pérez. 

Toda essa relação faz com que o argentino considere o português um dos técnicos mais importantes de sua carreira. 

"Em nível de treinadores, Alejandro Sabella, Jorge Jesus, que está no Flamengo, e Marcelo (Gallardo). Foram os três técnicos que, durante a minha carreira, mais me marcaram. Não só a nível profissional, mas também a nível pessoal, o que agradeço muito", declarou. 

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