Riquelme: a magia da CONMEBOL Libertadores convertida em carrasco dos brasileiros

Aniversariante, ex-camisa 10 do Boca Juniors ergueu três Libertadores transformando clubes brasileiros em vítimas com crueldade. Uma lenda na competição

As três taças conquistadas pelo Boca Juniors e a coleção de atuações memoráveis colocam Juan Román Riquelme como um dos maiores nomes da história da CONMEBOL Libertadores. Não são poucos os que defendem que não foi apenas um dos maiores, como o maior. Certo é que o aniversariante do dia, que nesta segunda-feira 24 de junho completa 41 anos adicionou à sua trajetória um posto praticamente inquestionável: o de maior carrasco dos clubes brasileiros na história da competição. 

Durante anos, ter o Boca como adversário na Copa foi sinônimo de pavor para os brasileiros e esse drama foi simbolizado principalmente pela figura de Riquelme. Nos três títulos, metade das taças erguidas pelo Boca, o camisa 10 transformou os brasileiros em vítimas com requintes de crueldade. Em 2000, a final contra o Palmeiras. Em 2001, uma atuação histórica na semifinal também contra o Verdão. Em 2007, outro baile, desta vez contra o Grêmio em Porto Alegre. Jornadas eternas no coração dos xeneizes, expostas no museu do clube em La Bombonera, e que os torcedores daqui gostariam de esquecer. 

Riquelme contra o Grêmio em 2007

Até quando caiu, o Boca de Riquelme conseguiu dar a volta. Em 2008, perdeu a semifinal para o Fluminense no Maracanã, mas em 2012 deu o troco nas quartas de final no Engenhão com um gol no último minuto de Santiago Silva. Román iniciou a jogada. Nesse ano, o Boca foi à final e perdeu o título para o Corinthians. Já aos 34 anos, o meia não tinha mais a mesma força de antes. No entanto, se enganou quem pensava que estava sepultada ali sua história na Copa. No ano seguinte, Corinthians e Boca voltaram a se enfrentar, desta vez nas oitavas de final. Os argentinos venceram a ida por 1 a 0 em Buenos Aires. Na volta, o Timão abriu o placar. Mas a figura de Riquelme reapareceu. De falta, o camisa 10 empatou o jogo, resultado que assegurou a classificação. Deu Román. De novo. 

Riquelme contra o Fluminense em 2012

Se a história foi pior para os brasileiros, ganharam todos os amantes do futebol como arte. Em Riquelme, a bola encontrou um de seus maiores parceiros. O argentino tinha um trato raro, misturando a agilidade dominante do futsal com a classe típica dos grandes armadores no campo. Dominava todos os espaços e tinha uma precisão irritante para fazer a bola correr. Disse isso mais de uma vez: que ele não precisava correr e sim a bola. Román foi um dos maiores expoentes da posição chamada pelos argentinos de "enganche". No Brasil, a definição mais próxima seria de "meia-armador", distinto do ponta de lança, mais comum por aqui. Aquele clássico 10, de se posicionar entre os volantes e criar, criar, criar. Ditar o ritmo. D'Alessandro, formado no River Plate, rival do Boca de Riquelme, diz que essa espécie está em extinção e é preciso manter esse legado, sob o risco de o futebol perder qualidade. 

Riquelme contra o Corinthians em 2013

Riquelme foi representante de um estilo de jogo cada vez mais raro. Que sua magia e lembrança de sua genialidade estejam sempre presentes na Copa Libertadores.

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