Ricardo Oliveira: "O atleticano é apaixonado e vive a Copa Libertadores de maneira muito intensa"

Em sua quinta participação na Copa, atacante é esperança de gols do Galo para a estreia diante do Danubio, nesta terça-feira, em Montevidéu, pela segunda fase preliminar

O título inédito conquistado em 2013, marcado por reviravoltas em placares e milagres de São Victor no gol, tornou a conexão entre o Atlético-MG e a Copa CONMEBOL Libertadores ainda mais intensa nos últimos anos. Das dez participações do Galo no torneio, seis ocorreram nesta década.

Tamanha identificação motiva Ricardo Oliveira não só para a estreia na edição deste ano, mas também na busca por um troféu que lhe escapou das mãos por duas vezes: em 2003, pelo Santos, quando foi um dos artilheiros, com nove gols, mas perdeu a final para o Boca Juniors, e em 2006, sendo vice pelo São Paulo, batido pelo Internacional.

"É uma competição diferente", admite o atacante de 38 anos à Copalibertadores.com. "O Atlético é um clube muito grande, que se acostumou a jogar, ganhou e provou como é gostoso levantar esse troféu. O torcedor atleticano é muito apaixonado e vive esse momento de Libertadores de uma maneira muito intensa, e nós também estamos muito animados e conscientes de que é uma grande oportunidade para voltar a fazer história", completa o camisa 9, autor de 14 gols em 25 partidas pela Copa.

O Galo é o primeiro brasileiro a estrear na Libertadores 2019. Nesta terça-feira (5), enfrentará o Danubio, às 19h15 (de Brasília), em Montevidéu, pelo jogo de ida da segunda fase preliminar - a volta será no próximo dia 12, no Independência. O vencedor do duelo enfrentará Defensor ou Barcelona de Guayaquil por uma vaga na fase de grupos.

Com cinco gols marcados em três rodadas do Campeonato Mineiro, Ricardo Oliveira é a principal esperança ofensiva dos atleticanos na busca pelo bi da América. Confira abaixo uma entrevista exclusiva com o atacante:

Ricardo Oliveira Atlético-MG

Você foi artilheiro da Copa CONMEBOL Libertadores, duas vezes finalista... Como é a sua relação com o torneio? O que mais o atrai?
É uma sensação muito boa voltar a jogar a Libertadores. Eu que tive a felicidade de ser artilheiro na edição de 2003, pelo Santos, vice-campeão, batendo na porta há alguns anos, em 2006 fui vice-campeão com o São Paulo. É uma competição diferente, que todos os atletas sul-americanos desejam ganhar, tem uma proporção internacional, dá condição de jogar o Mundial de Clubes. Pode ter certeza de que estou muito animado, com muita ambição de voltar a jogar essa competição e espero com o Atlético levantar o troféu de campeão, que é o nosso sonho.

Você anotou 14 gols em 25 jogos pela Libertadores. Qual gol foi o mais marcante?
Sempre muito difícil escolher um gol. Marquei alguns gols bonitos na Libertadores, fico muito feliz de voltar a essa competição, marquei gols importantes com o São Paulo e o Santos, marquei gols decisivos, que nos garantiram vitórias. É sempre especial anotar gols na Libertadores, seria injusto escolher só um. O desafio agora é marcar gols com a camisa do Atlético na Libertadores.

Você ainda não conquistou a Libertadores, mas já venceu a Liga dos Campeões da Europa, com o Milan, na temporada 2006-07. Vencer a Copa é o maior sonho de sua carreira hoje?
Verdade, não tenho título da Libertadores. Ganhei a Champions League, é verdade, é uma competição incrível, mas certamente para nós, sul-americanos que jogamos no Brasil, a Libertadores é uma espécie de Champions League. O maior sonho da minha carreira hoje é levantar esse troféu.

Em 2003, quando estreou na Libertadores e chegou à final com o Santos e foi artilheiro, você tinha 23 anos. Teve alguém mais experiente do elenco ou do meio do futebol que o ajudou a superar a inexperiência em torneios internacionais? 
Bem interessante que, em 2003, era um time com muitos garotos. O Santos tinha uma base de 2002 com muitos jovens, os mais experientes eram o (goleiro) Fabio Costa e o (lateral-esquerdo) Léo, e a gente se ajudava bastante. O (técnico Emerson) Leão me deu muito apoio, passou muita tranquilidade para mim naquele ano, e era um grupo tão jovem, com uma mescla mínima de jogadores experientes, que deu liga, que se ajudava e jogava um futebol muito alegre, muito pata frente, muito vistoso, divertido, e que acabou dando certo. O grupo foi importante no meu desempenho, para eu conseguir a artilharia, porque foi logo no meu início pelo Santos. Eu permaneci no clube por apenas seis meses, fiz uma excelente participação na Libertadores e depois fui vendido (para o Valencia, da Espanha). Graças aos os companheiros que me ajudaram na adaptação ao time eu consegui realizar o sonho de jogar na Europa, mas foi fundamental o apoio de todos.  

Ricardo Oliveira Atlético-MG URT Mineiro 30012019

O que vocês já sabem sobre o Danubio, adversário da estreia na Libertadores?
Tivemos informações a respeito do Danubio, vai ser o primeiro jogo oficial deles no ano, mas é um time que se reformulou, que tem uma mescla de jogadores novos com experientes, treinador novo, com uma ideia de jogo bem clara. Sabemos das dificuldades que vamos encontrar, porém estamos preparados para esse desafio. Vamos para fazer um grande jogo no Uruguai, é a nossa estreia, estamos muito confiantes e animados porque é uma competição que desejamos muito.

Quais as dificuldades de jogar as duas fases anteriores aos grupos da Libertadores?
Dificuldades são grandes, nunca tem jogo fácil. Precisamos eliminar os nossos adversários para entrar na fase de grupos da competição, e essa é a nossa maior ambição. Primeiro é o Danubio, vamos dar o nosso melhor. Nosso desejo é a nossa ilusão e vamos em busca disso.

Os clubes brasileiros na Libertadores estão apostando em camisas 9 "autênticos" em 2019: você, Borja, Pablo, Fred... Mas, nos últimos anos, a busca por atacantes que possam ser mais atuantes na defesa também ganharam espaço entre os treinadores. Ainda há espaço para o centroavante "à moda antiga" ou agora é necessário ser mais participativo também sem a bola, como pedem algumas tendências táticas do futebol moderno?
Acho que é impossível idealizar o futebol sem o centroavante, o definidor, o cara que faz o gol. Obviamente, com o avanço da tecnologia, todo mundo se conhece, todo mundo sabe como o adversário joga. Você precisa se reinventar, se reciclar, todo mundo está estudando o futebol hoje. Os atletas têm todas as informações necessárias, então dentro desse futebol moderno você precisa se adaptar a esse tipo de jogo, mas sem fugir de suas características, porque se você se preocupa muito em ser participativo, no caso do centroavante, e não faz gol, você é sacado do time. A função do centroavante é fazer gol. Tivemos uma experiência nesse sentido que foi o Gabriel Jesus na Copa do Mundo. Ele se sacrificou para ajudar no coletivo, foi muito bem no que fez, não marcou nenhum gol e foi bastante criticado por isso. Ou seja, a função do centroavante é fazer o gol. Com esse futebol moderno, querer tirar o centroavante para colocar dois pontas abertos com um falso 9... Eu não vejo o futebol desse jeito. Eu vejo o futebol como antigamente, um cara definidor, centroavante matador, o cara em que o time prepara e a bola chega nele para concluir em gols. Dentro dessa função, ainda teremos muitos bons centroavantes no Brasil e no mundo, é claro que buscando se adaptar a esse novo futebol em que você também precisa ajudar na marcação.

Placa Frase Ricardo Oliveira

Será a décima participação do Atlético na Libertadores, só que seis delas ocorreram nesta década. Criou-se recentemente um laço muito forte entre o torneio e a torcida, ainda mais com o título em 2013. Os jogadores também sentem esse clima diferente? A cobrança e a expectativa aumentam na relação com o torcedor em época de Libertadores?
O Atlético é um clube muito grande, que se acostumou a jogar essa competição, ganhou e provou como é gostoso levantar esse troféu. O torcedor atleticano é muito apaixonado e vive esse momento de Libertadores de uma maneira muito intensa, se envolve muito com a competição, e nós também estamos muito, mas muito animados e conscientes de que é uma grande oportunidade para voltar a fazer história levantando esse troféu tão desejado pelo clube, pelo torcedor, pela comissão técnica e nós, jogadores. E eu, quero enfatizar mais uma vez, por ter jogado essa competição, por ter batido na porta algumas vezes, por disputar duas finais e não ter levantado esse troféu, pode ter certeza de que é um troféu que desejo muito levantar na minha carreira. Uma carreira vitoriosa, de muitos troféus que levantei com a seleção e com os clubes que passei, e espero que seja assim com o Atlético na Libertadores.

 

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