São Paulo na Copa Libertadores e chegada do primeiro filho: a dupla missão de Pablo nesta semana

Menos de 48 horas após a estreia tricolor, diante do Talleres na Argentina, artilheiro da última CONMEBOL Sul-Americana viajará a Curitiba para acompanhar o nascimento de Enrico

É irresistível afirmar que será uma semana repleta de emoções para Pablo. Nesta quarta-feira (6), o atacante terá a sua primeira grande missão com a camisa do São Paulo: a estreia na Copa CONMEBOL Libertadores, diante do Talleres, às 21h30 (de Brasília), em Córdoba. No retorno para o Brasil, ele sonha trazer na bagagem um resultado positivo, e quem sabe um gol, para oferecer a Enrico, o primeiro filho que está próximo de nascer.

A esposa do atacante, Isabella, tem cesárea marcada em Curitiba para a manhã desta sexta (8), dois dias após a partida na Argentina. "Tomara que ele me espere", brinca o artilheiro e campeão da última CONMEBOL Sul-Americana, pelo Athletico Paranaense. "Vamos focar primeiramente no jogo para depois dar toda a atenção à minha esposa e ao meu filho", ressalta à Copalibertadores.com.

Um dos atacantes mais temidos do futebol brasileiro em 2018, com 18 gols pelo Furacão, Pablo não carrega para esta temporada apenas a expectativa da torcida por gols e por conquistar a América pela quarta vez. Na família, a cobrança é mais firme. Vem diretamente do avô materno, Chico, são-paulino fanático, e para quem deseja dedicar a classificação à fase de grupos, caso venha.

Pablo São Paulo

Talleres e São Paulo duelam pela segunda fase preliminar da Libertadores - o jogo de volta será na próxima semana, no Morumbi. O vencedor enfrentará Independiente Medellín ou Palestino por um lugar no Grupo A, o mesmo de River Plate, Internacional e Alianza Lima. Nesta entrevista, Pablo projeta a estreia na Copa e fala também sobre o desejo de se tornar um ídolo no novo clube. Confira:

Chegar ao São Paulo como o atual artilheiro e campeão da CONMEBOL Sul-Americana muda o seu status como jogador e a sua responsabilidade para a Libertadores?
A responsabilidade é muito grande. Primeiramente, por jogar em uma equipe como o São Paulo, uma equipe de tradição, que tem um histórico muito bonito na Libertadores. A responsabilidade é minha e de todos os meus companheiros, mas acredito que estamos preparados para começar essa segunda fase muito motivados e muito conscientes da responsabilidade que teremos.

Você jogou a Libertadores apenas uma vez, em 2017. O que mais o marcou nessa campanha com o Athletico Paranaense?
O que marcou foi a vontade e a gana que o time tinha de entrar na fase de grupos. Também passamos pela fase preliminar e nos classificamos (às oitavas de final). Com certeza, a entrada na fase de grupos foi fundamental e aquilo me marcou muito.

O que vocês já sabem sobre o Talleres?
É uma equipe muito competitiva, muito aguerrida, tem jogadores com qualidade, rápidos na frente. A gente vem estudando bem a equipe deles, como jogam, sabendo como são as equipes argentinas, que lotam estádios, fazem muito barulho, fazem muita pressão, mas acredito que a nossa equipe está bem preparada para estrear na Libertadores.

Você tem relações familiares com o São Paulo, é o clube do coração de seu avô materno, Chico. Houve alguma cobrança por parte dele, agora que o neto estará no comando de ataque do Tricolor na Libertadores?
Meu avô, meu pai, minha mãe, minha esposa, minha família em geral... São todos incentivadores. É óbvio que o meu avô cobra vitórias, títulos, empenho... Meu avô ama futebol, espero dar essa alegria para ele conquistando a vaga na fase de grupos.

Pela primeira vez, a Libertadores terá final em jogo único e campo neutro. A decisão deste ano será no Chile. Caso o São Paulo chegue até lá, já pensou em levar o seu avô ou alguém que tenha marcado a sua carreira para assistir à partida em Santiago?
Primeiro a gente tem de pensar passo a passo, jogo após jogo. É claro que é um sonho chegar a uma final de Libertadores, afinal será inédita, em jogo único. Há a possibilidade (risos). Meu avô é igual a mim, tem um pouco de medo de avião, mas se ele quiser e estiver disposto, obviamente eu o levarei.

Pablo São Paulo

Você será pai, e a cesária está marcada para sexta-feira (8), dois dias após a estreia na Libertadores. E o jogo será na Argentina... Você preparou algum esquema especial para voltar para o Brasil rapidamente e não correr risco de perder o nascimento?
Sim, é o nascimento do meu primeiro filho, Enrico. Estou ansioso, muito feliz, não só eu como toda a minha família, a minha esposa. A gente pensa muito nisso, sonhava muito em ter um filho. Voltarei com a equipe normalmente para São Paulo, depois viajo para Curitiba na quinta-feira, e a cesárea está marcada para sexta. Torço para que me espere até o dia 8 para eu poder chegar com tranquilidade. Vamos focar primeiramente no jogo para depois dar toda a atenção à minha esposa e ao meu filho. Tomara que o Enrico me espere até o dia 8 (risos).

Qual ansiedade está mais difícil de segurar: a estreia na Libertadores ou a chegada do filho?
Acredito que uma vida é maior do que qualquer coisa. Obviamente que um jogo tão importante para o São Paulo gere ansiedade, mas o nascimento do Enrico é uma coisa que vai além do futebol, é uma vida. Estou muito ansioso pelo nascimento dele, mas estou totalmente focado, concentrado e preparado para jogar.

Como tem sido os seus primeiros dias em São Paulo? Já arranjou tempo para conhecer melhor a cidade? 
Conheci alguns pontos de São Paulo, mas como estou ainda morando no CT, fico mais concentrado em melhorar a parte física, como atleta. Depois, quando a minha mulher e o meu filho estiverem na cidade, a gente vai aproveitar mais.  

AFP Paranaense Pablo

Mudar de clube após uma conquista de título costuma ser traumática, nem todos os torcedores compreendem esse processo que faz parte do futebol. Não parece ter sido o seu caso com o Athletico Paranaense. A impressão é de que a maioria dos atleticanos respeitou a sua opção. Concorda? 
Trocar é difícil, pela história que você constrói, não só para a torcida, mas também para o jogador. Tenho um carinho e um amor pelo Athletico, pela torcida, pela diretoria, por todos o que fazem o Athletico uma equipe vencedora. Fiquei triste por sair do clube, mas isso faz parte do futebol. Vim para um clube que também já estou amando, me sinto apaixonado pelo São Paulo, pela forma que é, pela forma que tratam os jogadores, pela forma que treinamos no dia a dia. Espero fazer história pelo São Paulo, levantar títulos para conquistar também a torcida são-paulina.

A trajetória do São Paulo na Libertadores é marcada por forjar ídolos: Raí, Zetti e Rogério Ceni são alguns nomes que chegaram ao ápice conquistando a América. Você acabou de chegar no clube, está conhecendo o elenco e o treinador, mas você pensa alto dessa forma, em termos de idolatria?
Para você ser ídolo e ter uma identificação com a torcida, tem de conquistar títulos. Raí, Zetti e Rogério Ceni são jogadores lendários na história do São Paulo. Eu me vejo ainda muito longe deles, em termos de carreira e idolatria dentro do clube. Muito longe mesmo. Espero um dia poder chegar pelo menos aos pés dessas lendas e poder fazer também a minha própria história pelo São Paulo. É um sonho. Uma das motivações para vir para o São Paulo foi a ligação que o Raí me fez, o projeto que ele me apresentou, e estou muito contente por trabalhar com o Raí, com toda a diretoria, comissão técnica e jogadores.

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