Pablo Marí, o sonho quixotesco de um espanhol que se encantou pelo Flamengo

Zagueiro chegou desconhecido e precisou de apenas dez jogos para cair nas graças do torcedor. Ele está nas semifinais da CONMEBOL Libertadores

A chegada de Pablo Marí ao Flamengo causou surpresa. O que um espanhol cujo currículo estava quase todo preenchido por passagens pela segunda divisão de seu país estava vindo fazer no Brasil, no clube de maior torcida do mundo? Mas joga bola? Perguntava-se o torcedor, a imprensa. Marí precisou de apenas dez jogos para dar a resposta e cair nas graças dos mesmos que antes o viam com desconfiança. 

Canhoto, o jogador de 26 anos virou peça-chave no sistema defensivo do técnico Jorge Jesus. Posiciona-se com perfeição e tem técnica apurada para sair jogando. Não é incomum que a armação do time comece por ele. A linha fica mais alta, a bola chega mais redonda para os companheiros de frente. O Flamengo parou de tomar muitos gols. Hoje, da-se o mérito maior a Jesus, um português. Mas Pablo, que forma dupla com o ótimo Rodrigo Caio, tem seu mérito. Portugal e Espanha. Viva a península ibérica! 

Sem conhecer nada do Brasil, Pablo estreou quando o Flamengo já tinha vendido Léo Duarte ao Milan da Itália. Ainda tinha dificuldade para se comunicar com os companheiros por conta do idioma, mas deixou boa impressão. De cara, encantou-se pelo Maracanã. Seus olhos brilham quando fala do estádio e da torcida rubro-negra. A adaptação foi questão de tempo. 

Empolgado com a possibilidade de fazer história no Rubro-Negro, que voltou à semifinal da CONMEBOL Libertadores após 35 anos, Pablo é sempre um dos primeiros a chegar e um dos últimos a sair do CT no Rio de Janeiro. Tranquilo, é visto como "atleta de grupo", que não dá trabalho, alheio a qualquer problema. Assim é visto por quem acompanha o dia a dia do clube. 

Após rodar por clubes menores da Europa, ter sido contratado pelo Manchester City mas não ter jogado, Marí parece viver um sonho no Rio de Janeiro. Titular em pouco tempo, marcou dois gols, um deles um golaço de canhota, e vê o time brigar pela Libertadores e pelo Brasileiro enquanto se delicia com o carinho da torcida. Nas redes sociais, é chamado de "xerife". Responde com gratidão e admiração. Em entrevista ao jornal AS, da Espanha, comparou o Flamengo a Barcelona e Real Madrid grandeza. Exagero? Preste atenção em seus olhos ao entrar no Maracanã. 

A saga do espanhol desconhecido pelo Brasil tem caráter lírico. De sua terra, vem uma das histórias de heróis mais famosas do planeta, a do cavalheiro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Sonhador, Quixote travou batalhas contra moinhos de vento. Pablo, na América do Sul, tem sonhos mais concretos e nem precisou de tempo para se aproximar deles. As semifinais da Libertadores contra o Grêmio estão chegando. Pablo Marí já não é mais uma surpresa.

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