Os ensinamentos de São Victor para o Atlético-MG na Copa Libertadores

Em entrevista exclusiva, goleiro herói do título de 2013 alerta para os perigos da competição e fala em um Galo mais forte após passar pelo mata-mata antes da Fase de grupos

Por Marcio Porto

Clube brasileiro sobrevivente de dois confrontos de mata-mata nas prévias da Copa CONMEBOL Libertadores, o Atlético-MG estreia na Fase de grupos nesta quarta-feira diante do Cerro Porteño (PAR) no Mineirão mais fortalecido e preparado na tentativa do bicampeonato. A análise vem da maior autoridade atleticana na competição sul-americana: Victor. Elevado ao título de santidade pela torcida do Galo pelas defesas históricas na conquista de 2013, o goleiro conhece como poucos os atalhos e perigos da Libertadores. 

Nesta entrevista exclusiva ao Copalibertadores.com, Victor traça um panorama da preparação do Atlético e diz por que o torcedor pode acreditar no tão sonhado bicampeonato. Aos 36 anos, o goleiro está prestes a completar 400 jogos pelo Galo - está com 393, sendo 45 pela Libertadores. Uma carreira vitoriosa, mas que vai se aproximando do fim. Antes, porém, Victor tem mais uma Libertadores pela frente e espera que o destino esteja novamente traçado para os atleticanos.

O Atlético passou da fase preliminar eliminando os uruguaios Danúbio e Defensor e agora está no grupo E com Cerro, Nacional (URU) e Zamora (VEN). 

Como chega para essa nova Copa Libertadores?
Muito motivado e feliz por estar disputando a Libertadores, após ficarmos um ano fora. Sempre me deixa muito feliz, os maiores nomes do futebol sul-americano jogam essa competição, é muito gratificante.

Placa Victor

Está pronto para ser São Victor novamente, como a torcida o chama?
Claro que a gente sonha em fazer as coisas, mas futebol é um esporte coletivo. As coisas têm de encaixar, espero que a engrenagem der certo, para eu não precisar fazer tantas defesas.

Quais lições vocês tiraram das fases anteriores? Você disse que os jogos foram muito cansativos mentalmente. 
É muito difícil disputar a pré. O aspecto emocional é muito pesado, a gente sabe da importância que é disputar a Libertadores e se você é eliminado numa fase dessas já entra em crise. A gente entra mais fortalecido, por ter passado por esses quatro jogos de mata-mata, entra mais preparado. Claro que temos de nos preparar mais, temos um grupo difícil.

Quais os principais perigos da competição?
A gente sabe que é uma competição que são só os melhores de cada países, cada detalhe pode fazer a diferença. Se cada equipe, cada pais tem um estilo diferente, é mais do que necessário saber se adaptar ao estilo. Temos de ter atenção, fatores como altitude, tem de estar preparado para tudo. 

E qual  o estilo do Atlético?
Sempre joga pra frente, um time de posse de bola, toca muito a bola, que gosta de construir jogadas no campo ofensivo. É também de muita entrega física, dedicação, porque a Libertadores demanda esse tipo de jogo, são jogos mais físicos.

Qual avaliação faz do grupo, com Cerro, Nacional (URU) e Zamora (VEN)? Qual maior desafio?
Grupo difícil, são adversários tradicionais. Sobre o Zamora, o futebol venezuelano vem crescendo, temos dois campeões, grandes torcidas. Sabemos da dificuldade, mas também sabemos da nossa capacidade.

Há alguma semelhança desse time de agora para o de 2013?
Cada equipe, cada grupo tem suas qualidades. O que há em comum é a qualidade técnica, a capacidade dos jogadores, de conseguir decidir os jogos. 

Você está perto de completar 400 jogos pelo clube. O que significa essa marca?
Pra mim é uma marca muito importante, me enche de orgulho. Tão apaixonada que é a torcida, e nosso futebol é marcado pela rotatividade, de passar duas temporadas. Isso representa pra mim algo muito positivo, os jogadores rodam muito e não criam essa ligação com o clube. Espero não só atingir mais marcas, como obter conquistas.

O grupo tem você, a volta do Réver que foi capitão em 2013, o Ricardo Oliveira, duas vezes finalista. Como vocês podem ajudar esse grupo e se isso pode fazer diferença?
É um tipo de competição que experiência conta muito, são fundamentais. Na parte de motivação, de leitura de jogo, participação, de liderança. é importante. Para ter a responsabilidade dentro de campo e também conseguir passar para os mais jovens que ainda não têm essa bagagem.

O que tem projetado para o futuro, mais quanto tempo pretende jogar? 
Com 36 anos não posso fazer planejamento a longo prazo, tenho mais dois anos. Tenho de pensar dia a dia. Estou motivado, me sentindo bem fisicamente, produtivo, útil com capacidade de conquistar títulos. Estou motivado, feliz. se for para parar vestindo a camisa do Atlético, para mim será mais do que uma honra.

Ainda trabalha para uma outra Copa do Mundo ou acredita que seu ciclo na seleção acabou?
Seleção não fecha portas para ninguém. Não é meu foco, objetivo de carreira, que eu busque, é o prêmio, mas a seleção passa por processo de renovação. O Tite tem procurado convocar jogadores mais jovens, mesclando.

Qual a sua memória mais marcante na Libertadores? Deve ser difícil sair da defesa de pênalti contra o Tijuana nas quartas de final de 2013.
Eu creio que seja inquestionável, é a defesa de pênalti contra o Tijuana, essa sempre é a que mais repercute e que mais me marcou. A bola do Olímpia explodindo na trave na decisão por pênaltis também. 

A sua defesa com o pé esquerdo contra o Tijuana rende devoções até hoje. Como tem sido isso no dia a dia? Ainda pedem muitas coisas?
É algo que marcou muito na história do clube, na memória do torcedor, e por isso acontece quase que diariamente. A gente presencia esses gestos, muito torcedor coloca tatuagem, vem abraçar a perna. A gente fica sem jeito, mas sabe o que isso representou, temos de viver isso e entender a paixão do torcedor. É gratificante.

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