Odair Hellmann diz que está pronto para vencer no Inter e conta com estrela de Sobis pelo tri

Criado no clube, técnico do Colorado trabalha para conquistar seu primeiro título e espera que atacante seja novamente decisivo na Copa

Aos 42 anos, Odair Hellmann é um representante da chamada nova geração de treinadores do futebol brasileiro. Destes, quase metade foram de serviços prestados ao Internacional, clube pelo qual iniciou a carreira de jogador e treinador. Conhecedor da casa como poucos, Papito, como é chamado no Beira-Rio, se diz pronto para erguer sua primeira taça. A principal, claro, é a CONMEBOL Libertadores, sonho de todo torcedor colorado, mas o comandante faz questão de adotar cautela quando se refere à possibilidade de conquistar o tri. 

"Quem dá um passo maior que a perna cai", diz, sobre um possível clássico Gre-Nal nas semifinais. 

Tudo isso porque Odair sabe que terá uma missão difícilima a partir desta quarta-feira, quando o Inter inicia as quartas de final contra o Flamengo no Maracanã. Estudioso, atento aos detalhes e ciente dos perigos de um jogo como esse, Odair quer seu time se comportando como a torcida se acostumou a ver com ele: "lutando até o último minuto". 

O treinador recebeu a reportagem do CopaLibertadores.com antes das quartas de final e traçou seus métodos de trabalho. Também respondeu se já cobrou Rafael Sobis para preparar mais um gol em final de Libertadores. O atacante marcou nas duas finais em que o Inter saiu vitorioso, em 2006 contra o São Paulo e 2010, contra o Chivas. E agora? Papito espera que a estrela de Sobis brilhe antes, já nas quartas.

Confira a entrevista com o treinador:

É chamado de Papito, estudioso, apaixonado. Como você definiria o Odair Helmann? 
Acho que todo ser humano tem muitas características. E tem de se adaptar dentro do seu perfil, da sua linha ao ambiente que você convive, trabalha. Então, independente de ser Papito, Odair, não muda minha postura, minha ética, meu trabalho. Há momentos de descontração e leveza em ambientes e também há momentos de muita seriedade, de muito suor e transpiração. Acredito sempre num ambiente muito leve para que cada um possa conseguir produzir o seu melhor. Tento fazer isso na minha gestão de grupo, de dia a dia com pessoas. Quanto mais a pessoa tenha prazer de estar naquele ambiente, mais ela consegue produzir. Assim que sigo minha conduta e minha linha de trabalho. 

A melhor forma de gerir um grupo então é essa? 
É uma das formas. Não existe a melhor forma. Essa é a forma que tenho como pessoa. Não tem como separar a pessoa com o profissional. A conduta sua como pessoa não separa com o profissional. Tenho essa leveza no meu dia a dia, na minha sociabilidade com as pessoas e trago isso para minha parte profissional porque acredito que um ambiente natural, leve... Claro que aqui existe cobrança, pressão... Quanto mais natural a gente for, quanto mais alegre a gente estiver, quanto mais esse ambiente de quem comanda produzir essa leveza, eu acredito que esse seja um caminho mais fácil para quando você for conduzir os trabalhos. 

Odair Hellmann - Internacional

Iniciou como jogador do Internacional, também como treinador. E torcedor. Como separar essa paixão para que não interfira no comando? 
Isso não interfere, aqui as decisões que tenho de tomar, elas independem de eu ter paixão pelo clube, de eu ter trabalhado 20 anos no clube, ter jogado e agora em comissões na base, profissional. São decisões de segundos, dez segundos, cinco segundos, que às vezes você toma decisões importantes na beira do campo, como uma substituição. Isso não tem interferência. Tem no meu dia a dia, que eu quero vencer muito aqui nesse clube e pra isso eu trabalho demais, para que eu possa conquistar e retribuir esse carinho que o clube fez por mim e eu possa retribuir aqui com o trabalho dentro de campo. 

Que pressão você se coloca para ganhar um título? 
A pressão que qualquer profissional sofreria trabalhando num grande clube como o Internacional. A história do Internacional é de título, de grandes jogos, vitorias e todo profissional que trabalha aqui sabe dessa essência e precisa trabalhar para ter essas vitórias, esses títulos. Minha pressão não é diferente desses profissionais que trabalham e quem venham a trabalhar no Internacional. Estou preparado, sei disso, conheço a história do clube, a gente vem de um período, parece ser muito tempo, mas a gente vem de um ano e oito meses que foi o pior momento da história do clube. Isso também tem etapa a serem cumpridas. Agora a gente já está em outra etapa e para que a gente possa com esse trabalho, ter essas conquistas para alinhar com a história do Internacional. 

20 anos de Internacional. Alguém conhece mais o clube que você? 
Ah, tem muita gente que conhece profundamente o Inter, dentro e fora do campo, pessoas, profissionais. Sou um cara que tem anos de clube, claro que foi interrompido ali um tempo como jogador, mas sou uma das pessoas que conheço bem, porque estou aqui faz dez anos. Desde a base ao profissional, então conheço todas as pessoas, os caminhos, mas isso por si só não significa que você vai ganhar, que é mais fácil. Tem o lado do conhecimento, o lado do dia a dia, das relações, e tem de estar preparado porque o futebol a cada dia te apresenta coisas novas. 

Quem foram suas principais influências para ser treinador? 
Eu trabalhei com muitas comissões técnicas, tanto na seleção brasileira quanto aqui no Inter, e sempre que eu ia para a seleção ou que eu participava da comissão de um novo treinador aqui, eu visualizava seu modo de trabalho, seus treinamentos, e depois de um tempo, de dois três anos, já trabalhando assim, comecei a pensar na minha metodologia, no meu método de treino, se eu fosse o treinador que tipo de método eu usaria no dia a dia. O que eu achava, dentro daqueles profissionais, dentro da minha ideia, o que seria melhor. Fui produzido e trabalhando a minha ideia de treinamento, meus métodos, minha ideia de jogo, claro que respeitando as características do jogador que eu tenho à disposição no grupo. Então, todos os treinadores que eu trabalhei me influenciaram, me ensinaram e me ajudaram muito. Grandes treinadores, eu sou um profissional aberto de visualizar outros profissionais, ver o que eles trabalham em suas equipes em outros jogos, possibilidades que eu tenho de observar treinamentos para que eu possa desenvolver e aplicar dentro do meu dia a dia. 

Vai enfrentar o Jorge Jesus agora, tem o Jorge Sampaoli no Brasileiro. Queria sua opinião sobre a chegada de treinadores estrangeiros. 
Sempre importante ter escolas novas, profissionais com ideias novas, para que a gente possa também visualizar que tipo de ideias são essas, adquirir, levar para o nosso dia a dia ou não. São profissionais importantes para o futebol mundial, como nossos treinadores aqui, aos quais respeito muito e também são minhas referências em termos de respeito. E o Jesus também se encaixa nessa linha.

Odair Hellmann

D'Alessandro tem jogado muito bem, um alto nível inesperado até para quem está na parte final da carreira. Qual a importância dele no time hoje? 
D'Alessandro é um excepcional jogador, excepcional profissional, um exemplo de profissional, que sempre fez a diferença técnica. Está há 11 anos no clube, tem todas as conquistas, a idolatria de todos nós, e eu o respeito. Ele está feliz com sua performance, com as decisões tomadas. E as decisões são sempre muito tomadas em conjunto e minha relação com ele, profissional e pessoal, é excelente. De muito respeito, de muita admiração, de muita lealdade e o D'Alessandro é tudo isso. E quando ele enxerga isso do outro lado, vai muito de acordo com a conduta dele de vida e profissional. E a gente procurou ter esse entendimento. Eu já tinha essa relação quando era auxiliar técnico, mantive ela como treinador, mesmo tendo de tomar decisões mais difíceis. Mas ele está totalmente concentrado, querendo e nos ajuda mais tanto quanto joga como quando não joga porque é uma referência para todos nós. 

Rafael Sobis fez gol na final de 2006, de título. Em 2010, voltou a marcar. Já conversou com ele que chegou a hora de ele fazer isso por você? 
Espero que essa estrela brilhe novamente. Ele está nos ajudando muito, está jogando muito bem. Já fez gols na Libertadores novamente, e vai fazer mais. Espero que faça mais. Espero que já faça nesses jogos contra o Flamengo para que a estrela dele e a nossa continue brilhando.

O que espera do Flamengo?
O time do Flamengo é uma grande equipe, de jogadores de qualidade, muita qualidade, coletivamente também muito fortalecido. Com um treinador que está há dois meses, mas está introduzindo suas ideias. Vamos enfrentar uma equipe muito difícil, mas estamos preparados para esse enfrentamento.

Qual a importância da Libertadores?
Ela tem o significado como as outras competições porque eu defino assim: não posso dar importância maior a uma competição do que a outra. O ser humano e o profissional, trazendo da vida pessoal para o profissional, se você não valoriza as pequenas coisas, não está preparado para as grandes coisas. Claro que a Libertadores é uma competição excepcional, a maior competição da América, e eu valorizo demais, mas como todas as outras. Porque certamente se eu não valorizasse as demais, o dia a dia, não ia estar preparado e fazendo a boa campanha que estamos fazendo. 

Pode haver um Gre-Nal nas semifinais. Possível não pensar nisso?
É possível. Eu só penso no Flamengo. Meu pensamento hoje é Flamengo, Flamengo, e trabalhar para dar o próximo passo. Quem quer dar o passo maior do que a perna cai. 

Odair Hellmann - Internacional

Está iniciando a carreira, vencendo jogos, consolidando trabalho. Como lembra da tragédia do Brasil de Pelotas, e se ela vem à lembrança? (Odair estava no acidente de ônibus que vitimou três pessoas em 2009).
Sempre lembro, todas as pessoas que passam por um drama pessoal e dificuldade na vida, tem dois caminhos a seguir: ou se fortalecer, buscar forças, levantar o mais rápido possível e seguir em frente, ou realmente sentir a pancada, o momento de dificuldade e aí ter dificuldade na caminhada seguinte. Eu me fortaleci, meus amigos, minha família. Aquilo foi uma tragédia que eu jamais gostaria de ter passado e ter acontecido. Claro que vem as lembranças... Mas a vida não é feita só de flores. A vida a gente tem dificuldades, obstáculos, mas os momentos bons têm de fazer valer a pena tudo isso. E eu tenho certeza de que os momentos bons da minha vida tem feito valer essas dificuldades, aquela situação vivida e é assim que eu sigo em frente. 

O que o torcedor do Internacional pode esperar nessa Libertadores? 
O que é a nossa identidade, o nosso padrão, buscar a vitória, a classificação até o último minuto. Todas nossas forças, todas as nossas qualidades, e superando as nossas dificuldades, encontrando soluções no momento do jogo, e mantendo um padrão de atuações que fez com que a gente chegasse até aqui. O torcedor pode ter certeza que vamos estar muito concentrados e nos entregar demais para atingir nossos objetivos. 
 

Fechar