19 de abril de 1960: primeiro jogo e o primeiro gol da CONMEBOL Libertadores aconteceram no Uruguai

Carlos Borges marcou há 60 anos o primeiro gol da história da Copa na goleada do Peñarol, primeiro campeão, sobre o Jorge Wilstermann

A CONMEBOL Libertadores completa 60 anos em 2020. O maior torneio da América do Sul teve sua primeira partida, o seu primeiro gol e seu primeiro vencedor no dia 19 de abril de 1960, quando a primeira Copa, com sete clubes, começou no Uruguai.

Peñarol 7x1 Jorge Wilstermann e Carlos Borges. Jogo e jogador que estão eternizados na história. O palco foi o estádio Centenário, que, segundo os registros, recebeu cerca de 30 mil torcedores. A bola rolou às 16h11 local, com o primeiro toque dado por Ausberto García a Maximo Alcócer, do Wilstermann. César Sánchez foi interceptado, sendo Salvador, da equipe uruguaia, o primeiro brasileiro a encostar na bola na história da Libertadores.

O primeiro gol foi do uruguaio Borges, logo aos 13 minutos do primeiro tempo. Luis Cubilla bateu no travessão e seu companheiro aproveitou o rebote para chutar duas vezes de dentro da pequena área. Após parar no rival José Rocabado na primeira tentativa, ele mandou para a rede na segunda. O gol aconteceu do lado da Tribuna Colombes, do Centenário em Montevidéu.

Estava aberta ali também a primeira goleada da Libertadores. Borges marcou outro, Cubilla mais um e os outros quatro foram de quem é, até os dias de hoje, o maior artilheiro da história da Libertadores: o atacante equatoriano Alberto Spencer, autor de 54 gols em 88 partidas.

Lucho Borges (em destaque na foto do time uruguaio da época) morreu aos 82 anos, em fevereiro de 2014. O ex-atacante era tirular da equipe que seria a primeira campeã da América, em 1960. Um time comandado por Roberto Scarone.

Peñarol x Wilstermann - Libertadores 1960

“Tenho a honra de ter feito o primeiro gol. Aquilo me arrepiou a pele. É um orgulho para que meus netos saibam quem eu fui”, contou Borges, numa entrevista ao livro "Pionero de América", de César Groba.

A visão da equipe adversária também está documentada nos livros da CONMEBOL. "Nunca vou esquecer do primeiro jogo por tudo o que representou para o Wilstermann e para a Bolívia. Queríamos fazer um papel digno, mas do outro lado estavam Spencer, um atacante formidável, Cubilla, Hohberg, Borges, Tito Goncálvez, William Martínez. A confederação preparou um grande torneio e gostamos do desafio", afirmou Renán López, campeão da Copa América de 1963 pela Bolívia.

"Chegamos ao Uruguai muitos dias antes, nunca me esqueço da confraternização. Os jogadores do Peñarol prepararam um churrasco que eles mesmo serviram, num gesto simpático e de muita camaradagem", destacou López. Na volta, em La Paz, com 30 mil torcedores, uruguaios e bolivianos empataram em 1 a 1, com gol do próprio, em 30 de abril.

Curiosamente, após 60 anos, na edição 2020, Peñarol e Wilstermann caíram no mesmo grupo da CONMEBOL Libertadores.

San Lorenzo (Argentina), Wilstermann (Bolívia), Bahia (Brasil), Universidad de Chile, Millonarios (Colômbia), Olimpia (Paraguai) e Peñarol (Uruguai) foram os participantes da primeira Copa, que teve 39 gols em 13 partidas. As três fases foram eliminatórias, com jogos de ida e volta, entre seis clubes - o Olimpia entrou na semifinal por ter vencido o Universitário, do Peru, por WO na primeira eliminatória.

Uruguaios e paraguaios fizeram a primeira final. Após vitória por 1 a 0 do Peñarol em Montevidéu, as equipes empataram em 1 a 1 em Assunção e o clube do Uruguai conquistou ali a primeira de suas cinco taças, em junho de 1960 (o Carbonero esteve em 47 das 60 edições). A Copa número 1 teve duração de exatos dois meses.

Depois de 59 anos, a CONMEBOL Libertadores chegou em 2019 à sua edição 60 com dez meses de disputa, envolvendo 47 clubes do continente, mesma fórmula de 2020. A taça mais cobiçada da América, criada no Peru, foi erguida pela 60a vez em 23 de novembro, justamente na capital Lima, pelo Flamengo.

FICHA TÉCNICA
Peñarol 7-1 Jorge Wilstermann


Data: 19/4/1960
Local: Centenário, Montevidéu (Uruguai)
Libertadores: Grupo 2
Árbitro: Carlos Robles (Chile)

Peñarol: Luis Maidana, William Martínez, Milton Alves da Silva "Salvador", Santiago Pino, Néstor Goncálvez, Walter Aguerre, Luis Cubilla, Carlos Abel Linazza, Juan Eduardo Hohberg, Alberto Spencer e Carlos Borges. Técnico: Roberto Scarone.

Jorge Wilstermann: Hernán Rico, Óscar Claure, Wilfredo Villarroel, José Trujillo, José Rocabado, Mario Zabalaga, César Sánchez, Máximo Alcócer, Ausberto García, Renan López, Rómulo Cortez (44' Arturo Soria). Técnico: Saúl Ongaro.

Gols: Carlos Borges (13' e 17'), Luis Cubilla (20'), Alberto Spencer (35', 57', 66' e 89'); Máximo Alcócer (48').

Peñarol - Libertadores 1960

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