O Maicon do Grêmio tem o passe para o sucesso

Após sair criticado do São Paulo, volante virou referência dentro e fora de campo de um clube que se acostumou a vencer e briga por outra Libertadores

Recentemente, em participação no Podcast oficial da #Libertadores, o ex-técnico Muricy Ramalho repetiu uma de suas ricas frases, pela forma engraçada como diz e pelo conteúdo. Muricy falava do volante Maicon, que foi seu jogador no São Paulo entre 2013 e 2015: "O Maicon tem o passe!". Campeão da Copa em 2011 pelo Santos, Muricy é simples e preciso para exaltar o principal fundamento do jogador. Poderia, entretanto, emendar que no Grêmio "o passe" de Maicon virou uma forma de sucesso. 

Rejeitado por parte da torcida do São Paulo, de onde saiu em baixa, Maicon virou símbolo do futebol que é praticado pelo Grêmio desde 2016 e levou o clube a conquistar seis títulos desde então sob a batuta de Renato Portaluppi, entre eles a Libertadores de 2017. 

A forma é simples. A equipe de Renato trata a bola com carinho e ninguém tem mais cuidado com isso do que o camisa 8. Pode ter igual, mais não. Maicon não vai pedalar, não vai dar carretilha ou bicicleta. Mas a bola não queima em seu pé, já diria Muricy nos tempos de São Paulo. Isso quer dizer que o jogador estará sempre ali pronto para fazer o time jogar. É peça fundamental de uma engrenagem que Renato provou que funciona e é capaz de demolir adversários. Na Libertadores, por exemplo, é com alguma sobra o jogador que mais acerta passes: 616, contra 570 de Enzo Pérez, meia do River Plate que figura em segundo.

Parte da crítica do são-paulino que o rejeitava era de que era lento. Ao pensar assim, o torcedor cai numa das tantas armadilhas que o futebol pode oferecer. No São Paulo, os passes de Maicon não encontravam colo. No Grêmio, eles formam caráter. Maicon é lento? Pergunte ao gremista. 

Ou experimente perguntar a Arthur ou Matheus Henrique, duas joias preciosas da base do Imortal que formaram dupla com o camisa 8 nos últimos anos. É claro: Arthur e Matheus são talento puro, dos melhores que surgiram no futebol brasileiro nos últimos anos. Dizer que sem a companhia de Maicon seu jogo não teria desenvolvido é cair em uma das tantas armadilhas do futebol. Mas rejeitar sua participação é tão equivocado quanto. Durante esses quase cinco anos de Grêmio, Maicon não foi só exemplo por cultuar o carinho pela bola, mas pelas suas ações como líder. Primeiro capitão de Renato, é sério, dedicado, e passa aos mais jovens aquilo que a experiência lhe ensinou: valor. 

Profissionalismo que chamava atenção antes de chegar ao Grêmio, quando ainda era chamado de lento. Justiça seja feita: é preciso compreender o sentimento do torcedor do São Paulo, magoado pela escassez de títulos de um gigante. O futebol de Maicon também não foi suficiente para reverter esse quadro. Acontece. 

Para sorte do jogador e dos gremistas, a técnica fez morada na Arena do Grêmio. Lá, o tricolor está cansado de saber: Maicon tem o passe e o passe  pode render muitos títulos. É um passe de sucesso, que a parte azul de Porto Alegre espera ver em ação a partir do dia 2 quando começa as semifinais contra o Flamengo.

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