Libertadores 1992: São Paulo vence Newell's nos pênaltis e é campeão no Morumbi

Geração de Raí começa a fazer história com o primeiro título do Tricolor paulista na Copa que venceria três vezes

Uma invasão de sentimentos no Morumbi. Um antes e depois. A história do São Paulo está dividida entre o que aconteceu antes da noite de 17 de junho de 1992 e o que veio a seguir. Naquela noite, o time comandado por Telê Santana cravou seu nome entre os maiores do futebol ao bater o Newell's Old Boys por 3-2 nos pênaltis após 1-0 no tempo normal e conquistar sua primeira CONMEBOL Libertadores. A Glória Eterna, que seria repetida no ano seguinte e 12 anos mais tarde, em 2005. 

Eram mais de 100 mil pessoas no Morumbi aguardando a consagração de Raí, Zetti, Cafu, Müller e Cia. Assista ao jogo aqui no Facebook Watch da Copa. O capitão Raí foi o protagonista maior da campanha vitoriosa, erguendo o glorioso troféu para uma multidão em extâse. O camisa 10 marcou o gol da vitória no tempo normal, de pênalti, e repetiu na série final. A cobrança que venceu Scoponi e levou a decisão para as penalidades foi, por ele mesmo, o momento mais importante da carreira do ídolo são-paulino. 

"Peguei aquela bola e tive que fazer uma concentração extraordinária. Tentar esquecer aquela festa, aquele barulho para me concentrar no gesto do pênalti. Foi quase que uma meditação tentar sair com a cabeça fora de toda aquela expectativa e me concentrar naquilo que eu estava bem treinado para fazer. Consegui uma boa concentração, estava muito confiante. Cobrei com muita força, bem colocado no canto. Corri para pegar a bola porque sabia que nosso time tinha capacidade, talento para virar o jogo, e não precisar ir para os pênaltis. Sem dúvida foi o momento de maior responsabilidade de minha carreira. Um pênalti que valia um título sul-americano e que começou ali uma era que entrou para a história do futebol mundial. O São Paulo Futebol Clube do começo dos anos 90, o São Paulo do Telê Santana que trazia magia, espetáculo e eficiência", relembrou o ídolo, hoje dirigente do clube.

Apesar da glória final, o São Paulo não iniciou bem a Libertadores em 1992. Derrota acachapante para o Criciúma fora de casa, por 3-0, na estreia. A Fase de Grupos ainda tinha o Bolívar e o San José, da Bolívia. O Tricolor deu o troco no Criciúma em casa por 4-0, venceu o Bolívar por 2-0 em casa e empatou por 1-1 fora, e bateu o San José por 3-0 fora, com empate em 1-1 em casa. Classificação em primeiro. 

Nas oitavas de final, duas vitórias sobre o tradicional Nacional do Uruguai, 2-0 e 1-0. Nas quartas, reencontro contra o Criciúma. Novamente, um duelo marcado pelo equilíbrio. O Tricolor venceu por 1-0 no Morumbi e empatou por 1-1 fora para carimbar vaga nas semifinais e encarar o Barcelona-EQU. O duelo seguinte foi duríssimo, apesar de ter começado muito bem. Vitória por 3-0 no Morumbi deu tranquilidade, mas a volta foi difícil, com derrota por 2-0. 

As finais contra o Newell's foram novamente marcadas por equilíbrio. Na Argentina, derrota por 1-0, com gol de Berizzo de pênalti. O meio-campista, por ironia, abriria a série errando sua cobrança na volta. Brilhou também a estrela de Zetti, que defendeu o pênalti de Gamboa e garantiu o título da Libertadores para o São Paulo. O primeiro do tricampeão.

Mascote do São Paulo 1992

NÚMEROS DO CAMPEÃO
14 jogos
8 vitórias
3 empates
3 derrotas
20 gols próprios
9 gols contra
Artilheiro: Palhinha (7 gols)
 

FICHAS TÉCNICAS

Newell´s Old Boys 1x0 São Paulo

Data: 10/6/1992
Local: Gigante de Arroyito, Rosário (ARG)
Libertadores: Final, ida
Árbitro: Hernán Silva (Chile)

NEWELL'S: Scoponi, Raggio, Gamboa, Pocchettino e Saldaña; Berti, Berizzo, Martino (Garfagnoli) e Zamora; Lunari e Mendoza (Domizzi).
Técnico: Marcelo Bielsa.

SÃO PAULO: Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão e Ivan; Adílson, Pintado e Raí; Müller, Palhinha (Macedo) e Elivélton. Técnico: Telê Santana.

Gol: Berizzo (pênalti), 39'/1ºT

São Paulo 1x0 Newell's Old Boys

Data:17/06/1992 
Local: Estádio do Morumbi, São Paulo (BRA)
Libertadores: Final, volta
Árbitro: José Joaquín Torres Cadenas (Colômbia)

SÃO PAULO: Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão e Ivan; Adílson, Pintado e Raí (capitão); Muller (Macedo), Palhinha e Elivélton. Técnico: Telê Santana.

NEWELL'S: Scoponi, Lllop, Gamboa (capitão), Pocchettino e Saldaña; Berizzo, Berti e Martino (Domizzi); Zamora, Lunari e Mendoza.
Técnico: Marcelo Bielsa.

Gol: Raí (pênalti), 22'/2ºT

Nos pênaltis (3-2): Pelo Newell's - Berizzo (errou), Zamora, LLop, Mendoza (errou) e Gamboa (errou). Pelo São Paulo - Raí, Ivan, Ronaldão (errou) e Cafu. 

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