Invasão só atrapalha um Vasco limitado... que precisa aproveitar ao máximo os seus treinos

Enquanto os reforços pedidos por Zé Ricardo não chegam, o melhor que este grupo pode fazer é trabalhar: nesta sexta (04), não conseguiram

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A Libertadores da América acabou para o Vasco da pior maneira possível:  com o time sofrendo a sua derrota mais elástica dentro de casa na história da competição, com os 4 a 0 impostos pelo Cruzeiro na última quarta-feira (02), e com o agravante das cenas de violência entre a própria torcida nas arquibancadas de São Januário.

Nesta sexta-feira (04), uma situação ainda pior: cerca de 40 indivíduos invadiram o treino realizado em São Januário para cobrar jogadores e comissão técnica. Como se não fosse o bastante, um barulho que ainda não se sabe ter saído de uma arma de fogo ou rojão foi escutado.

Infelizmente, nada de novo no futebol. Ainda mais em uma cidade onde o caos e violência também já deixam o clima pra lá de tenso.

Há uma semana, torcedores do Flamengo também intimidaram os jogadores, na entrada do aeroporto. A vitória do Rubro-Negro, por 3 a 0 sobre o Ceará, dias depois, pode ter encorajado a mensagem de que o ‘incentivo’ valeu para alguma coisa.

Tudo bobagem. Porque embora possa mexer com os brios de alguns, não é a forma correta de se fazer uma cobrança para um trabalhador. E também não dá nenhuma garantia de vitória.

E ainda pode fazer um jogador abandonar o clube – como aconteceu em 2009 no Palmeiras, quando Vagner Love resolveu deixar o Alviverde após ter recebido a abordagem hostil de alguns elementos uniformizados. É errado e ainda pode prejudicar o time.

Vasco x Cruzeiro GFXA maior goleada sofrida na Libertadores se repetiu três vezes na temporada

É claro que o torcedor vascaíno está pra baixo: em uma única campanha, estabeleceu o recorde negativo de maior derrota na Libertadores [primeiro para o Jorge Wilstermann] e sofreu o mesmo golpe outras duas vezes [já na fase de grupos, para Racing e Cruzeiro].

Mas o que os invasores não pensam, é que o time, que conseguiu a vaga na Libertadores mesmo com salário atrasado em 2017, não demonstrou nenhum tipo de ‘corpo mole’ na campanha. Muito pelo contrário! Tanto, que mesmo após o empate em 1 a 1 no Rio de Janeiro com o Racing, um resultado que ainda deixava o Cruzmaltino em posição difícil no seu grupo, torcedores reconheceram o empenho do elenco – o mesmo grupo de jogadores que por muito pouco não foi campeão carioca.

Thiago Galhardo Vasco Cruzeiro Libertadores 02052018Grupo limitado, mas ao menos esforçado (Foto: MAURO PIMENTEL/AFP/Getty Images)

O problema do Vasco não está no trabalho da comissão técnica ou no empenho dos jogadores, e sim no fato de que o time é ruim. É, por exemplo, o clube de Série A que mais sofreu derrotas em 2018 [9 até o momento] e que mais somou partidas sem marcar gols [10, mesmo número do Bahia segundo números do FutDados].

Enquanto os reforços pedidos pelo técnico Zé Ricardo não chegam, o melhor que os jogadores do Vasco podem fazer é treinar... e nesta sexta-feira (04) já não deu para fazer isso direito.

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