Guerreiro da Nação, Rafinha se rende à torcida do Flamengo: 'Jogamos sempre em casa'

Lateral-direito e rubro-negros vivem uma paixão à primeira vista. Experiente e vencedor da Liga dos Campeões, ele sonha com a Libertadores para coroar relação

Campeão de tudo pelo poderoso Bayern de Munique-ALE, um dos maiores clubes do mundo, Rafinha é um jogador realizado. Aos 34 anos, inicia o processo de curtir a parte final da carreira em uma condição privilegiada. Vencedor, respeitado. Mas ainda há tempo para se surpreender, se emocionar e viver coisas especiais no futebol e isso está essencialmente ligado ao Flamengo, seu clube desde junho deste ano. 

Após 14 anos na Europa, o lateral-direito formado nas categorias de base do Coritiba decidiu retornar ao Brasil e escolheu o Rubro-Negro. Foi paixão à primeira vista. Cinco meses depois, Rafinha se vê encantado com a torcida, que lhe abraçou e fez com que a identificação fosse imediata. Vibrante, o lateral conquistou a Nação e se tornou um dos líderes do grupo que tentará conquistar o bicampeonato da CONMEBOL Libertadores para o clube no próximo sábado contra o River Plate em Lima, no Peru. 

Para Rafinha, campeão da Liga dos Campeões pelo Bayern, as torcidas dos clubes não se comparam.

"Foi bom esse encontro, essa volta minha ao futebol brasileiro e esse encontro com uma torcida tão fanática. Vivi cinco anos e meio no Schalke 04, no Coritiba, no Genoa, e são clubes de torcidas grandes. Além do Bayern de Munique, um dos três maiores do mundo. Tem uma torcida muito fanática, mas não chega perto da torcida do Flamengo", afirmou o jogador, em entrevista exclusiva ao CopaLibertadores.com. Veja aqui um ensaio de fotos exclusivas.

"A torcida do Flamengo é muito participativa, cobra, vibra com o time, é insaciável. A gente está ganhando de 2-0, 3-0, o jogo dominado e eles estão gritando "mais um! Mais um!". Cobram muito, a cobrança da torcida do Flamengo é grande, mas o apoio é maior. Esse bom momento que a gente vem vivendo temos de creditar boa parte a eles. porque estão fazendo a parte deles. Todo jogo tem 60 mil no Maracanã. Isso facilita pra gente, Estou tendo a felicidade de desfrutar desses momentos. A gente vai jogar fora, a torcida do Flamengo apoia mais, faz mais barulho, a gente está sempre jogando em casa, costumamos brincar que o Flamengo nunca joga fora. Estou feliz de estar participando disso, de ter me identificado rápido com a grandeza desse clube. Sempre deixei claro que era um sonho jogar nesse clube, pela grandeza desse clube, por tudo que a gente acompanha", completou o lateral.

Rafinha - especial Libertadores

Rafinha fala como um capitão. A braçadeira é de Everton Ribeiro, mas ele exerce a liderança naturalmente. E não demorou. Já no primeiro percalço, ele se fez presente. A estreia foi na derrota de 2-0 para o Emelec, jogo de ida das oitavas de final. O resultado deixou flamenguistas preocupados. Mas Rafinha estava confiante.

"Foi um jogo diferente do que nos acostumamos agora, com nossas decisões. Era a minha primeira vez na Libertadores, contra uma equipe acostumada a isso. O Mister (Jorge Jesus) me colocou na ponta do lado direito, tinha feito essa função no Bayern, não tinha problema, mas como o jogo tava pegado, a bola não parava no chão, ficou difícil para a gente. E a equipe deles foi uma vez no ataque e fez um gol. No segundo tempo, com um jogador a menos, eles foram de novo e fizeram um gol. Então não foi um jogo que eles dominaram, massacraram a gente. Foram eficientes e fizeram os gols. Foi um pouco triste, porque a gente procura sempre estrear com o pé direito. Não era  um resultado esperado. Eu fiquei muito triste, mas deixei bem claro aos jogadores após a derrota. Fui o primeiro a falar e falei: "Fiquem tranquilos, porque vamos virar isso. Não merecemos ficar fora, com todo respeito ao Emelec, mas nosso time tem qualidade para vencer, fazer o placar, e vamos fazer. Nosso time é bom, nosso time tem qualidade, estamos nos conhecendo agora. Não tinha nem um mês junto". E foi quando a torcida abraçou e deu tudo certo. Sofrido, mas deu tudo certo", relembra o Guerreiro.

Na volta, Rafinha acabou sendo símbolo da classificação, ao marcar um dos gois na disputa por pênaltis. A comemoração efusiva ficou marcada como símbolo da retomada do Flamengo.

"Foi um momento de extravasar mesmo. O pessoal estava muito tenso, porque o Flamengo fazia muitos anos que não passava das oitavas de final da Libertadores. Eu sou mais experiente, de 34 anos, vivi muitas decisões na minha vida, mas aquele momento estava mexendo com a gente. A gente com mais tranquilidade estava procurando deixar o pessoal tranquilo, mas o torcedor estava angustiado. Conseguimos empatar o jogo, com 20 minutos do primeiro tempo já estava empatado 2-0. Buscamos o terceiro gol, uma disputa muito difícil, a equipe do Emelec sabe jogar essa competição. Foi para os pênaltis, então aquele momento de comemoração foi para extravasar mesmo, até porque no pênalti antes do meu, o Diego defendeu, então estava nos meus pés ali, para a gente passar  na frente. Mas eu tinha treinado bem. E feliz porque a imagem ficou marcada ali para os torcedores. Eu gosto de comemorar mesmo, não sou de fazer muito gol, mas quando faço gosto de comemorar mesmo. Naquele momento pedi para bater o pênalti, porque precisava um jogador como eu, já vivi tantas coisas no futebol, e casou bem aquele momento", conta. 

No próximo sábado, o lateral tentará entrar para uma seleta lista de jogadores que foram campeões da Liga dos Campeões da Europa e da Copa Libertadores. São apenas seis brasileiros em toda a história: Dida (Cruzeiro e Milan), Roque Júnior (Palmeiras e Milan), Cafu (São Paulo e Milan), Danilo (Santos e Real Madrid), Neymar (Santos e Barcelona) e Ronaldinho Gaúcho (Atlético Mineiro e Barcelona). Se isso acontecer, ele ficará na história do futebol, do Flamengo e eternamente no coração da Nação.

Rafinha - especial Libertadores

Fechar