Gre-Nal da América! Como Porto Alegre se prepara para o primeiro duelo entre Grêmio e Internacional na Libertadores

Rivalidade que divide o Sul em duas cores ganha um novo e histórico capítulo com as partidas pelo Grupo E da Copa

Polarização virou um termo mais comum entre os brasileiros recentemente por uma série de aspectos - políticos, sociais, culturais, esportivos... Mas conviver de forma intensa nos dois lados de uma mesma moeda é o que move Porto Alegre há decadas quando é semana de Gre-Nal.

"Parece que o sangue fica mais quente", destaca o ex-atacante Iarley, que participou do lado colorado desse cabo de guerra como jogador entre 2005 e 2008. "A cidade para e se transforma, muda tudo na rotina", completa.

"Tudo se divide em duas cores, o vermelho e o azul. A torcida até aceita perder título, mas não aceita perder Gre-Nal", resume o ex-atacante Christian, revelado pelo Inter e com passagem pelo Grêmio, autor de gols no clássico vestindo as duas camisas.

Grêmio e Internacional sustentaram mais de cem anos de intensidade e paixão à flor da pele para, em 2020, vivenciar esse turbilhão de sentimentos de uma forma inédita. Nesta quinta-feira (12), às 21h, na Arena tricolor, o jogo número 424 entre os rivais valerá pela Fase de Grupos da CONMEBOL Libertadores . O primeiro clássico pela Copa. Enfim, o Gre-Nal da América! A partida terá transmissão exclusiva pelo Facebook para o Brasil - veja como acompanhar a transmissão .

Pôster Gre-Nal

Transportar a rivalidade que divide o Rio Grande do Sul em azul ou vermelho à Libertadores era um capítulo que faltava ao Gre-Nal, algo que virá em dose dupla, pois eles voltam a se encontrar no dia 21 de março, no Beira-Rio, pelo Grupo E.

O clássico já havia ultrapassado as fronteiras do Sul em duas edições da CONMEBOL Sul-Americana, em 2004 e 2008. Foram quatro jogos, uma vitória para cada lado e dois empates, mas o Inter eliminou o rival em ambas as ocasiões.

Em termos de retrospecto, a Copa mexerá pouco nos números do Gre-Nal. Em 423 partidas, foram 156 vitórias coloradas, 133 triunfos tricolores e 134 empates. Mas vencer o primeiro clássico é algo tratado como questão de honra pelos dois lados, para poder se gabar do feito futuramente.

A Libertadores eleva o patamar de um confronto acostumado a forjar ídolos e escrever capítulos improváveis, para o bem ou o mal. "Vai ser histórico", acredita Christian.

O Gre-Nal é um clássico repleto de peculiaridades. A rivalidade é extrema, divide amigos e familiares, mas é uma aversão que se mistura e se confunde com o respeito mútuo, o que nem sempre se vê Brasil afora. Os nervos ficam exaltados, cada um defender a sua cor, mas hà a consciência de que um lado precisa do sucesso ou do fracasso do outro para também se valorizar.

"Se não existisse o Grêmio não existiria o Inter. Um depende do outro." A frase é compartilhada por colorados e tricolores na tentativa de explicar o que move esse clássico.

Outras cidades brasileiras também contam com clubes grandes, de rivalidade intensa e diversas conquistas nacional, mas Grêmio e Inter também se equiparam no patamar continental. Já foram campeões mundiais e, juntos, conquistaram cinco titulos de Libertadores - dois colorados e três tricolores. 

A discussão entre os torcedores e jornalistas é unânime nesta semana de preparação: os encontros pela Libertadores serão os maiores Gre-nais da história? Porto Alegre anseia para que a resposta seja "sim". 

Fechar