Geromel exclusivo! Capitão do tri exalta espírito 'copeiro' do Grêmio e revela motivação para o tetra

Zagueiro diz que grupo fica mais forte em competições de mata-mata e leva a derrota da semifinal do ano passado como lição para voltar a erguer a Libertadores

Pedro Geromel é a personificação do torcedor do Grêmio na CONMEBOL Libertadores. Capitão do tri conquistado em 2017, o zagueiro de 33 anos possui o espírito copeiro e vencedor ao qual o gremista se acostumou a ver na maior competição da América do Sul. O Imortal é um especialista e as palavras de seu líder ajudam a explicar. Ao Grêmio e a Geromel não faltam garra, motivação e uma força para ganhar em jogos eliminatórios. 

Desde que chegou ao Grêmio em 2014, Geromel participou da conquista de seis títulos: Copa do Brasil (2016), Libertadores (2017), Recopa Sul-Americana (2018), Gaúcho (2018 e 2019) e Recopa Gaúcha (2019). Acostumou-se a levantar taças, mas nem por isso perdeu a gana de conquistá-las. O próximo alvo é o tetra da América. Tudo começa nesta terça-feira na Arena do Grêmio, a partir das 21h30, em duelo contra o Palmeiras pelas quartas de final

Geromel vê o Grêmio muito forte, preparado para a quarta conquista e tira lição do ano passado como motivação. A frustrante derrota para o River Plate na semifinal serve de combustível para chegar novamente à Glória Eterna. Ele contou isso em entrevista ao CopaLibertadores.com. Geromito, como é chamado pelos torcedores, abriu o jogo em bate-papo no CT do Grêmio e deu um panorama de como o Tricolor Gaúcho chega para mais uma disputa de taça.

Depois de seis anos, como se manter motivado no clube? 
Tivemos o jogo da Copa do Brasil contra o Athletico-PR na Arena e quando você entra no campo e você ouve a torcida já gritando, quando você está no túnel,seu coração já pulsa, as veias começam a bater mais rápido, você acelera, aquela adrenalina começa a entrar no seu corpo. Você entra em campo, você vê a geral ali...(Aqui corta parte da fumaça verde) Isso te dá uma emoção, um carinho, uma força, isso te anima, a torcida faz com que cada vez você entre em campo, você tente fazer o seu melhor, é o mínimo que você pode fazer sem camiseta, é isso que eles esperam de você. 

Geromel - Grêmio - especial Libertadores

Como foi evoluindo sua relação com a torcida do Grêmio? Você já chegou ainda desconhecido e depois se tornou em uma figura, com apelido, Geromito...  
Quando eu cheguei em 2014 teve bastante resistência por parte da torcida, porque ainda não me conheciam, acho completamente normal, chegar um jogador em um grande clube que não tenha jogado no Brasil ainda, eu nunca tinha jogado como profissional, e a imprensa mesmo sem eu ter jogado, sem me conhecer, me criticava, dizia que eu não tinha jeito, não tinha estilo e eu não tenho mesmo (risos). Mas, não conhecia meu futebol. Com o passar do tempo, depois de quatro, cinco meses, comecei a ter chance, comecei a jogar. Quando fui fazer o primeiro coletivo lá em Bento Gonçalves, eu fiquei de fora do coletivo. Treinou dois zagueiros titulares, dois reservas eu fiquei fora. Falei: "Bah, vou ter que trabalhar!". Eu treinei, treinei, esperei, esperei, esperei minha chance e aí um se machucou, na época era o Enderson Moreira o treinador, começou a me dar chance. Comecei a me fixar no time, terminei o ano jogando, e aí um ano após o outro, consegui ter sequência e mostrar meu valor. Mas sempre trabalhei bastante, sempre treinei bastante. Eu tive o exemplo do Zé Roberto aqui. Ele estava aqui em 2014, e também não estava jogando. E nem sendo relacionado. E ele sempre chegava uma hora e meia antes do treino, ele treinava sozinho na academia, e como ele não estava jogando, ele treinava muito mais, para quando tivesse uma chance, estar preparando. Porque quando você não está jogando, é muito fácil você reclamar, falar que o treinador não gosta de você, a torcida não gosta de mim, a imprensa não gosta de mim e você não estar preparado para quando tiver a chance. Então eu tive esse exemplo do Zé Roberto e pensei: "Bah, é o Zé Roberto, está treinando como um animal!". E eu já conhecia ele da Alemanha, que até ajudou na minha vinda para o Grêmio. E eu vendo essa figura dele, falei: "Vou fazer a mesma coisa!". Me preparei, me preparei, três, quatro, cinco meses sem jogar. E quando tive a chance, eu estava pronto. Acho que isso foi fundamental. Já comecei a trabalhar meu psicológico para quando tiver a chance, estar à altura. 

Qual foi o momento em que você virou a chave e passou a ser Geromito para a torcida?
Foi uma coisa gradual, né? Quando comecei a virar titular com o Felipão, entrei no time e passamos a oito jogos sem sofrer gols. Aí comecei a ganhar status de titular. Não sei direito quando começou. Mas a gente estava há 15 anos sem ganhar título, então estava uma pressão externa muito forte. A gente ia jogar uma competição, tinha aquela ansiedade, chegava nas partes finais e era palpável assim no ar aquela tensão, por causa da pressão e tudo isso. E quando em 2016, a gente foi campeão da Copa do Brasil e depois da Libertadores, teve um relaxamento e as coisas passaram a acontecer mais naturalmente, tanto que nesses três últimos anos com o Renato a gente ganhou seis títulos. 

Você ainda ouve muito Geromito? 
Sim, sim. Isso potencializou muito depois da Copa do Mundo, depois do título da Libertadores então, que eu tive a felicidade de levantar a taça, isso aí acho que eternizou, né? Depois de eu ter sido um dos capitães do tri da América, depois do De Leon e do Adilson, acho que isso entra para a história do clube e fica marcado para a eternidade. 

Queria que você lembrasse do momento de levantar a taça, o que significou aquele gesto. 
Quando a gente estava no meio do ano, a gente tinha ganho a Copa do Brasil em 2016, aí ganhamos o Gauchão em 2017 e nosso time estava numa energia muito positiva. O nosso grupo aqui é muito bom. Aqui a gente não tem um craque, não tem um jogador assim, mas o grupo é muito forte. Passamos a primeira fase sem problemas, ganhamos as oitavas, ganhamos primeiro jogo fora de casa, jogamos as quartas também ganhamos, foi acontecendo naturalmente, foi criando liga, fomos jogar a final e ganhamos o primeiro jogo em casa. Mas a gente já tava, se sentia no ambiente que era um time campeão, que todo mundo queria muito, que todo mundo abriu mão de muita coisa, para estar naquele momento pelo Grêmio. Todo mundo fez muito pelo Grêmio então era merecedor, a gente sabia. Quando chegou no dia da final, o primeiro tempo e tava 2 a 0 pra gente, a gente jogou muito na Argentina, um campo difícil, no Lanus, o acesso era complicado, tinha tido um monte de confusão na outra final. Foi um ambiente bem tenso, a gente fez 2 a 0 no primeiro tempo, a gente estava com uma mão na taça, mas você via a tensão em campo, quando a gente entrou em campo a gente olhou no olho do outro e viu que era impossível a gente perder aquele jogo. Ai foi ficando mais palpável, e quando a gente foi campeão, a gente foi comemorar com nossa torcida, entre nós jogadores. 

Qual a sensação de levantar a taça?
É uma sensação única, até me arrepia. Você não tá jogando e representando só você, você está representando milhões de torcedores, não só gremistas, mas brasileiros, porque a gente estava representando o Brasil na América. Então essa sensação é uma sensação única. 

Já sonhou e sonha com aquele dia? 
Já, com certeza. Ano passado, a gente foi jogar a semifinal, ganhamos o primeiro jogo fora de casa, e a gente falou "Bah, vamos de novo! Vamos de novo!", mas a gente não conseguiu, foi uma frustração muito grande, mas a gente ao invés de ficar frustrado, chateado, a gente está tentando usar de motivação para este ano. 

Tem isso entre vocês? 
Com certeza, com certeza. Era completamente palpável a gente ser campeão. A gente fez o mais difícil que era ganhar uma semifinal fora de casa contra o River. Aí não conseguimos passar para a final, foi uma frustração muito grande, demorei muito tempo para digerir isso aí. Passou o ano novo, o Natal. Passou o Gauchão, vim jogar a Libertadores, eu ainda estava completamente indignado com a situação, demorei um pouquinho para digerir. Mas agora a gente está transformando essa insatisfação em motivação. 

Ainda é palpável ganhar a Libertadores, encaram assim? 
Com certeza. Estamos nas quartas de final, mas temos pela frente um grande adversário, vamos jogar contra o Palmeiras, assim como do outro lado tem o Flamengo e o Inter. Acho que os quatro times têm total condições de representar o Brasil numa final. 

Continua achando que o Grêmio não tem um craque, tem um grupo? 
Acho que a força do Grêmio é o conjunto, é o ambiente positivo, que catapulta o potencial de cada jogador e faz que cada um dê o seu melhor. Essa cobrança interna que a gente tem, essa falta de vaidade, ninguém aqui acha que é mais que ninguém. Todo mundo respeita o outro. A gente fica feliz quando a gente ganha, não importante quem fez o gol, importante é ganhar. Essa amizade que a gente tem. Ainda na semana passada fizemos um churrasco na casa do Tardelli, convidou o grupo todo. Fomos lá, comemos um churrasco todo mundo junto. Isso tudo faz com que a gente crie forças e leve para dentro de campo uma alegria muito grande. 

E o Everton não é craque? 
É craque, é fenômeno, só que ele está sendo potencializado pela força de nosso grupo. Ele mostrou jogando pela seleção brasileira na Copa América que pode jogar em qualquer clube do mundo. 

Geromel Grêmio Libertad Libertadores 12032019

Renato Gaúcho ainda consegue trazer coisas novas depois de três anos? 
O Renato é o treinador mais longevo do futebol brasileiro, e só isso fala por si só. Se ele não tivesse esse poder de ser reinventar, esse profissionalismo dele, dificilmente... Nenhum treinador aguenta muito tempo num time aqui no Brasil. Muita gente fala que ele é um grande gestor de vestiário, que ele tem o grupo na mão, e realmente ele tem. Mas não é só isso. Ele entende muito de futebol. Além de ser uma pessoa muito perspicaz, muito inteligente. No futebol, não só por ter jogado, ele entende muito de futebol. Ele dá conselhos pra gente. Ainda no último jogo, a gente foi jogar contra o Flamengo, tomou dois gols, e ele cantou a pedra: "não deixa fazer isso, esse cara faz isso, a, b..." os caras fizeram, no campo, em um ou outro momento de desconcentração nossa, gol do Flamengo! Como? Do jeito que ele falou. Então, ele dá sempre muita dicas pra gente. 

Faz isso com muita frequência? 
Não, porque ele cobra muito a gente para não deixar acontecer. Ele cobra para não deixar acontecer e a gente não deixa acontecer. Ele sempre mostra um vídeo de um time com jogada, da segunda divisão, jogo que está passando na Tv, ele pega o gol, separa e fala pra gente: "Ó, vocês não façam isso, porque eu cobro vocês". Aí vai no campo, ensina como tem de ser feito, o que não deve ser feito. Muitas vezes ele mostra gols de adversários que tomaram. E eu por ser zagueiro, ele fala: "Geromel, Kannemann, não pode acontecer isso, tem de fazer isso. Se acontecer, vou cobrar vocês. E aqui quando a gente fecha numa sala como essa, ele não tem diferença de pessoa. Ele cobra tanto o Everton, como um menino mais novo, como o Luan, tudo igual. Ele tem esse poder de enxergar o jogo e entender o jogo e gerência do grupo ele é mesmo acima da média. 

Como o definiria?
Ele é um treinador pronto, treinador completo que o Grêmio estava há 15 anos sem ganhar nada e quando ele chegou, ganhamos seis títulos em menos de três anos. Grêmio e Inter são os únicos clubes hoje nas três competições, Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. 

Dentro do histórico, de tudo, o Grêmio é o clube brasileiro que mais sabe jogar a Libertadores?    
Acho que por estar enraizado aqui nessa cultura nossa, jogos de mata-mata a gente cresce muito. Temos mostrado isso na Copa do Brasil, além de ser o time que mais ganha na Libertadores. A gente quando chega nessa competição nosso time cresce, e com competições neste formato, facilita muito para chegar a uma decisão. Não sei se é o mais copeiro, mas a gente gosta muito dessa competição.

Tem mais dois anos de contrato. Até quando vai ficar no clube? 
Eu me sinto muito bem no Grêmio. Já tive algumas propostas para sair, fui sondado por outros clubes, mas tenho uma gratidão muito grande pelo Grêmio, ele abriu as portas para eu ser convocado para uma seleção brasileira, para ganhar títulos, sou muito feliz aqui e não vejo por que sair daqui. Enquanto eu estiver jogando em alto nível. Não intenciono sair daqui. 

Kannemann Geromel Grêmio campeão Libertadores 2017

O que seria de você sem o Grêmio? 
Ah, nem sei dizer. 

Como você define o Grêmio na sua vida?
O Grêmio foi fundamental porque eu joguei 10 anos na Europa e tinha amigos meus, familiares meus, eu falava que jogava futebol e eles: "Ah, tá bom!". Porque não tinha como eles acompanharem de perto, e o Grêmio, eles acompanham, eles veem, meus pais veem, meus avôs, eles assistem, isso dá uma alegria para a família. Meu nome é Pedro e Geromel é meu último nome. Então a família do meu pai, que é Geromel fica até orgulhosa, eles contam cada história. Estive recentemente reunido com a família em São Paulo, e o orgulho que eles sentem, por ser uma coisa positiva, usam Geromel como uma coisa boa. Isso é uma satisfação que só o Grêmio poderia ter me dado e sou muito grato a isso. 

Faça uma análise do Palmeiras. O que esperar?
Acho que o Palmeiras, assim como o Flamengo, fez investimentos milionários, estão muito bem organizados, estão se permitindo fazer isso. E vai ser um grande jogo. Eles têm grandes jogadores, nosso time jogando aqui é muito difícil de ser batido com o apoio da torcida, a gente joga um futebol atraente, um futebol bonito, a gente joga sempre pra ganhar independentemente do adversário, então tem tudo para ser um grande espetáculo. 

O que pode falar do Felipão? Como acha que ele irá montar o time?
A gente não pode ser presunçoso para achar que sabe o que ele vai fazer porque ele sabe muito, tem muita experiência. Aprendi muito com ele, ele me ajudou bastante, sou muito grato a ele também. Temos de ter o respeito, é a palavra chave para enfrentar esse Palmeiras.

No que ele te ajudou?
Quando ele chegou aqui, ele já me conhecia da seleção de Portugal, eu joguei cinco anos lá, então quando ele chegou, a gente conversou bastante, ele que começou a me colocar de titular. Isso tudo foi muito importante quando eu cheguei para minha adaptação. 

O que você acha dos argentinos na Libertadores? 
Eu acho que o Boca e o River realmente chegam com muita força, são times muito organizados, assim como Flamengo, Palmeiras, Inter e Grêmio. Eles têm muitas possibilidades de ganhar, pela organização e o poder deles na competição. Então tem tudo para ser Brasil e Argentina nessa final. 

Vê eles mais fortes do que nos outros anos?
Nos últimos anos, quando não foram campeões, estiveram na semi. Acho que eles estão no mesmo nível, são sempre clubes que dão dificuldade para nós. 

Gre-Nal na semifinal. Dá para viver no dia a dia sem pensar nessa possibilidade? 
Com certeza, completamente palpável. O Inter depende deles, a gente só depende da gente, tem tudo para acontecer. Os dois times estão num momento muito bom, assim como Palmeiras e Flamengo também. Vão ser grandes jogos. Eu ficaria feliz se fosse, porque significa que a gente passou do Palmeiras (risos). 

E o que significaria esse clássico na semifinal?
A cidade aqui pararia. Pessoal aqui é muito fanático, eles respiram futebol, são muito fervorosos. Acho que vai ser um marco para a história da cidade de Porto Alegre. 

Deixe uma mensagem para o torcedor do Grêmio. 
Temos dois jogos nas terças, jogos importantes e o torcedor pode ficar tranquilo, já sabe que faremos nosso melhor, que vamos deixar tudo dentro de campo, a única coisa que eles cobram é isso. E vamos deixar nosso melhor para conquistar essa taça. 
 

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