Ela está em casa! Criada em Lima, taça da Libertadores tem moldes guardados e enche peruanos de orgulho

Troféu volta ao seu berço para ser erguido por Flamengo ou River Plate. Sobrinho do desenhador se emociona por vê-la no Peru na primeira final única da história

Ela é a mais desejada do continente. O objeto dos sonhos dos mais renomados futebolisticas da América do Sul, há décadas. Uma taça de 97cm de altura, com 10,5kg de prata e outros 15kg de madeira. Uma taça que gera obsessão, a taça da CONMEBOL Libertadores, a ser erguida por um dos capitães, de Flamengo ou River Plate, neste sábado, no estádio Monumental de Lima, exatamante após 60 anos de sua concepção. A taça será levantada pela 60a vez em sua história, na mesma cidade onde foi criada. Na mesma cidade onde, até hoje, os seus moldes estão guardados e o seu processo de construção é detalhado com orgulho. Relíquias.

Poucos sabem que ela foi desenhada por um imigrante italiano, no centro de Lima, no Peru, em 1959, ano que antecedeu a primeira edição da Copa. Aconteceu na Avenida Colonial, na oficina especializada em pratarias chamada Camusso, que hoje, 86 anos depois de sua fundação, funciona em outra zona da capital peruana, no Parque Industrial San Pedrito, em Santiago de Surco. É ali que Carlo Tonani Camusso, gerente geral da bem sucedida empresa, hoje enche os olhos de lágrimas ao saber que a taça será erguida no seu país, em 2019. Justamente na primeira final única da Libertadores.

"É orgulho que sinto, emotivamente orgulho", afirmou, emocionado, o empresário, neto de Carlo Mario Camusso, que deixou a Itália em 1927 para tentar uma vida melhor em Lima. Foi em 27 de novembro de 1933 que a "Plateria Camusso" foi fundada e começou a tornar-se referência no ramo. Já com 26 anos de funcionamento e fama na região, os Camusso foram procurados pela CONMEBOL, por indicação de um de seus ex-presidentes, o peruano Teófilo Salinas Fuller, à época dirigente.

A oficina já confeccionava troféus e coube a Alberto de Gasperi, italiano, tio de Carlo Tonani Camusso, desenhar a Copa Libertadores. "Nós já fazíamos troféus, muito especializados na hípica. Veio a necessidade de se fazer o troféu para o torneio de futebol. Meu pai e meu tio, Alberto, ficaram encarregados dessa produção. Foi construído esse troféu. Salinas tinha boas relações com minha família. A nós é motivo de honra a taça ter sido feita no Peru, porque não é fácil criar algo com tantos detalhes".

E são muitos os detalhes. "Ela é única", orgulha-se Camusso. A foto da taça da Libertadores está no livro escrito a mão, um catálogo guardado na "Plateria Camusso" como um tesouro, e seus moldes estão entre outros 9 mil numa sala de acesso restrito. Um depósito com 60 mil toneladas de aço. Hoje, são produzidos de 600 a 1.000 troféus por mês, entre outras inúmeras peças. Máquinas que trabalhavam a todo vapor há 60 anos ainda funcionam no local. O trabalho da Copa Libertadores levou cerca de sete meses para ser terminado.

Oficina taça Libertadores

Da fundição da prata a mil graus até o banho de ácido para proteger e retirar impurezas da prata, as peças são criadas para que uma taça seja montada. O troféu que já foi erguido por lendários capitães desde 1960 é composto por oito peças de prata, artesanalmente montados sobre a sua base de madeira. Apenas o boneco, no topo, é de bronze.

"Eu lembro o entusiasmo que havia na minha família, das reuniões. Desenhava-se a mão. Todos brindavam por terminar um troféu. Meu tio (Alberto de Gasperi) cuidou da parte criativa, e havia muitas discussões para todos detalhes que fazem parte da beleza de um produto". E que beleza, não é mesmo? A taça, ou "La Copa", como ela é chamada nos países sul-americanos de língua hispânica, estará brilhando mais uma vez neste 23 de novembro, à espera de seu novo dono.

Na "Plateria Camusso", que emprega 28 funcionários, em grande parte parentes de outros que construíram a história da empresa, todos sentirão o mesmo orgulho que o capitão de Flamengo ou River sentirá no começo da noite de sábado. Nascida no Peru, de volta ao Peru, a taça da Libertadores está pronta para a primeira final única. Não poderia haver nome melhor para o local onde ela estará. É digno de sua história: Monumental!

Oficina taça Libertadores

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