Diego Alves elege defesa da Libertadores e espera título para eternizá-la no Flamengo

Goleiro é um dos destaques da campanha do Rubro-Negro e sonha com a Glória Eterna contra o River Plate para coroar melhor grupo com o qual trabalhou

Aos 34 anos, Diego Alves está a um jogo de aumentar a lista de goleiros brasileiros que ficaram marcados com títulos da CONMEBOL Libertadores. Mais: para ser apenas o segundo na história do Flamengo. O paredão é um dos destaques da campanha do time comandado por Jorge Jesus e espera superar o River Plate no dia 23 de novembro para ficar marcado de vez na história do clube rubro-negro. Veja aqui um ensaio de fotos especial com o atleta.

Diego disputou 11 jogos na Libertadores deste ano e praticou 25 defesas. Pegou um pênalti no tempo normal, vitória por 3-1 contra a LDU na fase de grupos, e um na disputa contra o Emelec-EQU nas oitavas de final. Salvou o time em mais ocasiões, como no jogo de ida da semifinal contra o Grêmio em Porto Alegre. Deste jogo, saiu a defesa que, para ele, ficaria como símbolo de sua participação em um possível título. Para sempre. 

"Não sei como vai ser a final, mas acho que a do Grêmio foi uma defesa importante, a defesa do Everton, que ele sai nas costas da zaga, acerta um chute bastante forte e eu consigo reagir. Muita gente já me falou que foi uma defesa muito difícil e uma defesa que marcou. Agora falta a gente conquistar o título pra ela ficar eternizada", afirmou o goleiro flamenguista, em entrevista exclusiva ao CopaLibertadores.com.

Gylmar dos Santos Neves e Rafael Cabral (Santos), Zetti e Rogério Ceni (São Paulo) Mazarópi, Danrlei e Marcelo Grohe (Grêmio), Raul Plasmann e Dida (Cruzeiro), Marcos (Palmeiras), (Clemer e Renan (Internacional), Cássio (Corinthians) Victor (Atlético-MG)... A lista de goleiros brasileiros que atingiram a Glória Eterna como protagonistas é extensa e Diego espera ocupá-la, 38 anos após Raul ser o primeiro e até agora único flamenguista no posto. Experiente, com fama de pegador de pênaltis, algo que ele procura minimizar, fala com a frieza de quem sabe que pode ser decisivo no jogo final. Diego, é claro, prefere trabalhar pouco, deixar o ataque resolver, mas sente-se totalmente preparado para conquistar o título, como ele conta nesta entrevista.

A Libertadores é muito marcante na história de alguns goleiros. Principalmente aqui no Brasil, muitos clubes, quando a gente fala de Libertadores, lembram justamente de alguns goleiros que fizeram história. Por que você acha que a Copa é tão marcante para essa posição?
Acho que porque alguns momentos decisivos passam pelo goleiro. Se você vir a história, sempre tem uma defesa que marca e acho que por isso que é tão importante, como também um atacante fazer gol, ou um passe... Enfim, mas o goleiro acho que fica marcado porque pode fazer uma defesa do título e isso representa muito, fica muito marcante.

Diego Aves, o paredão do Flamengo

Você acha que o fato de ser um mata-mata, que aumenta a possibilidade de pênaltis, faz ser determinante uma equipe que quer ganhar a Libertadores tenha um goleiro bom, experiente?
Eu acho que é um conjunto todo, mas lógico que a experiência nesse tipo de competição conta bastante, a confiança também. Falo por mim, acho que o goleiro tem que estar preparado para qualquer tipo de situação, mas, como eu falei, como é uma competição muito importante, que o torcedor tem uma obsessão atrás desse título, gera uma situação completamente diferente das outras competições e, a partir do momento que você se destaca fazendo defesas, você acaba ficando marcado.

Você falou de defesas que ficam marcadas para goleiros. Digamos que já tivesse acabado a competição, você já teria a defesa que marcaria para o flamenguista nessa campanha?
Não sei. Não sei como vai ser a final, mas acho que a do Grêmio foi uma defesa importante, a defesa do Everton, que ele sai nas costas da zaga, acerta um chute bastante forte e eu consigo reagir. Muita gente já me falou que foi uma defesa muito difícil e uma defesa que marcou. Agora falta a gente conquistar o título pra ela ficar eternizada.

Quando você lembra da Libertadores, quais goleiros que te vêm à cabeça em campanhas históricas na Libertadores que te marcaram, que serviram ou poderiam ter servido de inspiração?
O Marcos, o Rogério Ceni, o Cássio também, uma defesa que ele fez contra o Vasco da Gama. O Marcos defendendo um pênalti do Marcelinho Carioca, o Rogério Ceni, as defesas importantes. Então tem uma história aí de goleiros com defesas importantes que eu, particularmente, lembro porque eu acompanhei. Hoje nessa situação que eu to, que eu me encontro, como eu falei, espero que também, possa ser eternizada e, daqui um  tempo, com a conquista do título, as pessoas lembrarem dessa defesa.

Jogar a Libertadores era um sonho pessoal seu? Como é hoje você parar, olhar pra frente, e ver que o Flamengo está na final depois de 38 anos. 
É, na verdade, um objetivo, um sonho pro torcedor. Muitos torcedores não têm ideia ou não viram o Flamengo nessa situação e por isso gera todo esse ambiente, esse clima externo. Mas nós jogadores concentrados, tentando manter a tranquilidade, até mesmo porque é uma situação que os jogadores também, alguns não viveram e isso, talvez, mexe um pouco com o sentimento de cada um, mas completamente preparado pra enfrentar qualquer tipo de situação pra conquistar o título.

Você falou agora da parte emocional, um negócio que obviamente é importante, e a gente também falou da sua fase técnica. Misturando as duas coisas, você acha que você vive hoje a melhor fase da sua carreira?
Quando o coletivo vai bem, as individualidades aparecem. A gente chegando nesse ponto, numa final de Libertadores, é uma importância enorme pra nós e pra torcida. Considero, sim, um dos momentos mais importantes da minha carreira. Até mesmo porque eu vivi muito tempo fora e poder voltar e ter essa experiência de participar desse momento do Flamengo é marcante. Como eu falei, o objetivo principal é ser campeão e a partir do momento que você é campeão, aí sim você fica marcado na história.

A definição que você dá pra sua virtude de defender pênalti, é “uma guerra psicológica que você trava com o batedor naquele momento”. Essa guerra psicológica, se acentua na Libertadores, onde o futebol sul-americano a gente sabe que os nervos se afloram?
Acho que em qualquer tipo de situação. Depende muito do nervosismo do jogo, da importância, da situação do time, envolve mil situações que podem acontecer no jogo. Como se trata de uma Libertadores que envolve uma pressão, uma atmosfera diferente, é lógico que existe essa pressão pro batedor tentar fazer o gol e a gente tenta utilizar todas as armas pra poder favorecer.

Quando foi para os pênaltis contra o Emelec, vocês vieram de uma adversidade porque saíram atrás lá. Foi um jogo que mexeu com vocês? Quando foi para os pênaltis, você se sentiu mais tranquilo?
Tem que ter um autocontrole nesse momento. Apesar que, comigo, todos esperam que eu vou defender, até mesmo pela fama, então eu também levo uma responsabilidade, levo uma pressão em cima, mas eu já tô muito acostumado a esse tipo de situação. Mesmo porque eu vivi quase toda minha vida nessa pressão de ter que defender. Mas ali é um momento diferente né, uma decisão, os ânimos de alguns jogadores ficam mais desconcentrados, outros mais tranquilos, e a gente tenta aproveitar todas as armas pra poder tentar defender. Fui feliz na decisão, consegui defender um pênalti e espero que a final não vá pros pênaltis porque é muito sofrimento. Eu sempre falo que é muito sofrimento ir pra uma decisão de pênalti, mas se tiver que passar, me encontro preparado pra isso. 

Esse jogo contra o Emelec, foi o momento mais duro da campanha até agora?
Eu acho que foi um dos divisores de água, que a gente fala aqui. Foi um momento em que a gente vinha de uma adversidade, 2 a 0, a gente tinha perdido o primeiro jogo, conseguimos reverter, sofremos até o final porque com um gol o Emelec classificaria e na decisão de pênalti a gente teve 100% de acerto com os batedores e logo veio a minha defesa e o chute na trave do ultimo jogador. Então foi mais ou menos uma noite perfeita pra nós porque é difícil bater com tanta perfeição, também é difícil defender e a gente conseguiu unir as duas coisas.

Por outro lado, vocês vão encarar na final o River, que tem um goleiro que é bicampeão já da Libertadores, que é um goleiro de seleção, o Armani. O que você pode falar dele, das qualidades dele? Como você vê o Armani como goleiro?
É um goleiro muito conhecido aqui na América do Sul, um goleiro muito alto, tem uma envergadura muito grande. Tá em um momento muito bom, desde quando decidiu vir pro River assumiu a posição, não largou mais, ganhou confiança, ganhou o título e isso demonstra que ele vive um momento espetacular, né. Voltando outra vez a uma final de Libertadores, então é um goleiro respeitado, um goleiro que tem muita qualidade.

De onde vem a amizade com o Enzo Perez, meio-campista do River Plate?
O Enzo? Dede a época do Valência, jogamos dois anos e meio juntos, nos falamos e justo no ano que eu sai, que eu vim pro Flamengo, ele foi pro River. A partir daí ele ganhou no ano seguinte a Libertadores. É um jogador que eu conheço perfeitamente, sei da qualidade, muito bom jogador, mas espero que nessa final eu possa sobressair em cima dele.

Quando confirmou o confronto vocês se falaram?
Não, ainda não. Mas com certeza ainda vai ter uma troca de mensagens.

Especificamente sobre você. A comissão técnica do Jorge Jesus fez alguma recomendação, mudança de treinamento... Alguma coisa que passaram de diferente pra você depois que chegaram?
Não, não. É lógico que tem uma forma de jogar, que faz com que o goleiro jogue um pouco mais adiantado até pq a linha é alta né. Mas eu já tinha costume na Europa de jogar assim. Joguei praticamente 10 anos com esse tipo de situação, estando um pouco mais perto da linha defensiva., então isso me deu um pouco mais de facilidade pra me adaptar rápido. Mas nenhum trabalho diferente e apropriado pra isso, somente o que ele pedia nos jogos, na estratégia.

Se um dia você imaginou, se você pudesse escolher, que jogador do futebol mundial que você queria ter defendido um pênalti.
Eu nunca tive obsessão por pênalti. A verdade é essa. Nunca foi um objetivo. As coisas aconteceram naturalmente. Eu tenho certeza que muitos queriam bater pênalti em mim, principalmente na Europa, mas não tem um jogador que eu tenha a vontade de defender um pênalti. Foi acontecendo naturalmente lá na Espanha, os números cresceram e se transformou nessa fama. Não tem um jogador específico.

Nem um ídolo?
Não. Sinceridade, não. Porque, como eu falei, não foi buscado. Não foi um objetivo traçado, aconteceu naturalmente, até mesmo pelas defesas. Defendi já do Cristiano, do Messi, do Griezmann. Na época, acho que eram os jogadores mais badalados da Liga. Mas nunca foi uma obsessão e um objetivo. Foi simplesmente naturalmente as coisas que aconteceram.

Foi o melhor grupo com o qual você já trabalhou?
Olha, posso dizer que sim. É um grupo que não deu trabalho, é um grupo muito trabalhador. É um grupo que se exige bastante, que tenta melhorar sempre. É difícil ter um grupo assim tão forte e aqui, desde que eu cheguei sempre tivemos um grupo bastante unido, mas esse ano parece que tem uma coisa especial que tá fazendo com que o time dê essa caminhada bonita.    

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