De quase eliminado a finalista: a reconstrução de corpo e alma que levou o Flamengo à decisão da CONMEBOL Libertadores

Mudança de treinador e chegada de reforços elevaram o patamar do time, que correu risco de ficar fora dos mata-matas

Diego Alves; Pará, Rodrigo Caio, Léo Duarte e Renê; Willian Arão, Cuéllar, Diego e De Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabriel. Com essa escalação, o Flamengo estreou na CONMEBOL Libertadores 2019 com vitória por 1 a 0 sobre o San José, no dia 5 de março, em Oruro.

Diego Alves; Rafinha, Rodrigo Caio, Pablo Marí e Filipe Luis; Willian Arão, Gerson, Everton Ribeiro e De Arrascaeta; Bruno Henrique e Gabigol. Com essa escalação, o Fla atropelou o Grêmio por 5 a 0, no Maracanã, em 23 de outubro, e voltou a uma final de Copa depois de 35 anos.

Seis nomes, mais da metade dos titulares, se repetem nessas duas escalações. Mas são Flamengos completamente distintos. Para manter vivo o sonho de conquistar a América pela segunda vez em sua história, os rubro-negros precisaram se reconstruir. De corpo e alma. 

A mudança mais notável é a qualificação do elenco para a fase final, especialmente nas laterais, que ganharam Rafinha e Filipe Luis, dois jogadores com tarimba internacional. A fragilidade do setor defensivo foi o ponto fraco do Fla na fase de grupos, escancarada na derrota por 2 a 1 para a LDU, em Quito, que deixou a classificação às oitavas de final sob risco.

A pausa do calendário sul-americano no meio do ano para a disputa da Copa América revigorou o clube carioca. Saiu o contestado Abel Braga, chegou o excêntrico Jorge Jesus. Com qualidade técnica de sobra nas mãos, o português impôs intensidade e organização ao time quase em tempo recorde, embora a estreia do técnico na Libertadores ainda tenha sido pautada pelas falhas recorrentes da temporada - derrota por 2 a 0 para o Emelec, em Guayaquil, no jogo de ida das oitavas.

A remontada flamenguista, na bola e na atitude, se deu na emocionante classificação às quartas de final, em que devolveu os 2 a 0 no Emelec no Maracanã e carimbou a vaga nas penalidades. Ali "virou a chave", como gostam de dizer os boleiros. O Flamengo elevou o nível e passou a atropelar rivais, na Libertadores e no Campeonato Brasileiro.

A reconstrução rubro-negra não envolve apenas aspectos táticos e emocionais, mas também físicos. Para ter força máxima em campo no jogo de volta contra o Grêmio, era crucial recuperar jogadores de lesões em tempo recorde. 

De Arrascaeta foi a campo, e brilhou, menos de três semanas após passar por uma artroscopia no joelho. Rafinha quebrou o osso da face em duas partes. Com capacete e uma proteção no rosto, foi um leão na marcação e no ataque. Filipe Luis não sentiu qualquer resquício da lesão muscular que ameaçou deixá-lo fora da semifinal. 

Diante do River Plate, no dia 23 de novembro, em Santiago, o Flamengo buscará o bi da Copa, acima de tudo, revigorado. Em menos de sete meses, deixou para trás a falta de confiança da estreia na Libertadores para atingir o ápice e ser temido até pelos mais fortes rivais.

Assista aos gols da vitória por 5 a 0 sobre o Grêmio:

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