Daniel Alves e a primeira Libertadores pelo São Paulo: 'A história é contada pelos outros, você precisa escrevê-la'

Lateral-direito estreia na Copa aos 37 anos e já tem um gol na missão de chegar à Glória Eterna com o Tricolor, que busca o tetracampeonato após 15 anos de sua última conquista

Daniel Alves é mais uma grande estrela a fazer parte da história da CONMEBOL Libertadores. Demorou para que o atleta mais vencedor do futebol mundial, com 40 títulos, tivesse a oportunidade de entrar em campo na Copa a qual era um fervoroso torcedor nos anos 90.

Hoje com 37 anos, Daniel era apenas um fanático pelo São Paulo quando vibrou com o bicampeonato conquistado por Raí e outros craques em 1992 e 1993. O sonho de jogar pelo Tricolor se realizou em 2020 e, agora, a luta é por outro desejo: conquistar o tetracampeonato com a camisa do clube brasileiro mais vezes finalista da Libertadores.

Resgatar a história vencedora do São Paulo é algo que move Daniel Alves. "Eu costumo dizer que infelizmente só são recordados os campeões", afirmou o lateral, em entrevista exclusiva ao CopaLibertadores.com durante uma sessão de fotos exclusiva produzida no CT da Barra Funda para a estreia tricolor no torneio.

Daniel começou com tudo: marcou um gol na primeira vez em que atuou pela Libertadores no Morumbi, a histórica casa são-paulino. Abriu o caminho para a vitória por 3 a 0 sobre a LDU, no fortíssimo Grupo D, o qual o craque também analisa nesta entrevista especial. OUÇA TAMBÉM O PODCAST TRICOLOR.

Qual é a sensação de estar pelo primeira vez com o São Paulo na Copa?
A expectativa é de poder retomar essa história tão maravilhosa e tão grande do São Paulo nessa competição e do São Paulo como clube. Toda primeira vez é muito especial e essa não vai ser diferente. Simplesmente temos que estar bem preparados, bem conscientes das dificuldades que vamos enfrentar, mas também da oportunidade que a gente tá tendo de reescrever essa história.

Quais são as suas lembranças de torcedor tricolor na Libertadores?
Sem dúvida nenhuma, as conquistas. Eu costumo dizer que infelizmente só são recordados os campeões. A gente nem lembra dos que tentaram, só lembra dos que conseguiram, então por isso gente que passou aqui no São Paulo deixou seu nome e isso vai ser pra sempre. É o que a gente está tentando fazer. A decisão de vir para o São Paulo não era apenas de realizar um sonho, senão de concretizar esse sonho escrevendo meu nome dentro da história do São Paulo.

Onde você estava nas conquistas de 1992, 93 e 05?
Eu estava em casa. No último tinha até amigos, companheiros também que participaram, que tiveram a felicidade de participar, me deram essa alegria como torcedor. Agora estou tendo a minha oportunidade de tentar fazer minha parte, fazer minha história aqui dentro do São Paulo. Me preparei muito, em todos os aspectos, para esse momento. Trago uma bagagem na minha mala que ela serve apenas de ponto de equilíbrio pra mim. A história sempre tem que ser escrita, a história não pode ser contada. Tem que ser contada pelos outros, você tem que escrever.

O São Paulo é visto de maneira diferente pelos rivais, pela história?
Clubes se respeitam quando sabem que tem uma história por trás. Acredito que o respeito que as instituições no geral têm com o São Paulo é pela história que o São Paulo tem dentro da competição.

São Paulo - especial Libertadores - Daniel Alves e Juanfran

E o River Plate no grupo tricolor?
São testes necessários. Já tive a oportunidade de jogar contra o River também, jogando por outra equipe. São testes valiosos para você ver qual seu nível dentro da competição. Eu acredito que o River está nessa posição de chegar à final duas vezes pela constância de um trabalho, pela aposta de um trabalho, pela aposta de uma filosofia.

O que você pode dizer do técnico do River, Marcelo Gallardo?
Uma das grandes apostas hoje do futebol mundial, sem dúvida nenhuma, pela capacidade que tem de extração. Não só vale você ser um grande treinador se você não consegue extrair dos seus jogadores os resultados. Foi considerado para clubes europeus por isso, pelo poder que tem de extrair o melhor de cada jogador e ser colocado em prol da equipe. Esse é o destaque pra mim do Gallardo e enfrentar esse tipo de situação é prazeroso porque ela é desafiadora. Eu gosto desse tipo de desafio porque eu nasci pra isso, eu nasci pra competir no alto nível, eu nasci pra tentar fazer grandes apresentações contra grandes clubes. São situações que muitas vezes não precisa de muita motivação porque o jogo em si, os adversários, os rivais que você vai enfrentar, os atletas que você vai enfrentar eles já te colocam num high level de tensão. É legal enfrentar esses jogadores. Por isso a gente joga em clube grande, a gente batalha pra jogar em clube grande, pra você enfrentar grandes jogos, grandes desafios.

Como você avalia o nível atual da Libertadores?
É uma das competições mais difíceis pelos grandes clubes que participam, os grandes nomes e o histórico da competição, isso faz com que a competição se torne um pouco mais difícil. Mas também, num ponto a favor, a gente tá acostumado a competir contra eles. Eu tenho o privilégio de jogar na Seleção Brasileira, estou acostumado a jogar contra esses rivais, esses adversários, viajar para poder enfrentá-los, então não é nenhuma surpresa esse tipo de coisa. Eu sei da dificuldade da competição, da dificuldade da logística e tudo isso, mas sei que o objetivo é muito superior a tudo isso. E é aquela velha história: pra você conquistar, você tem que pagar o preço. Se estamos aqui é porque estamos dispostos a pagar o preço.

São Paulo - Libertadores - Daniel Alves

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