'Conte comigo, Mengão!' 66 mil, Bruno e um sonho vivíssimo para a torcida do Flamengo na Libertadores

Atacante, que fez de tudo para vestir a camisa do Fla em 2019, fez o otimismo já natural da torcida rubro-negra atingir níveis máximos no Maracanã

São muitas as músicas que compõem o repertório da Nação Rubro-Negra. Entre versões de “Mamonas Assassinas” e do “Tema da Vitória” imortalizado por Ayrton Senna nos domingos dos anos 80, uma canção atravessa gerações e ecoa forte quando entoada no Maracanã:

“Conte comigo, Mengão! Acima de tudo rubro-negro! Oh, meu Mengão: eu gosto de você!”

Em um registro histórico, quando a equipe carioca retornava do Japão ao vencer com muita autoridade o Liverpool em 1981, o então lateral Leandro, o “Peixe-Frito”, ídolo eterno do clube, puxava a pleno pulmão tais palavras em cima de um carro do Corpo de Bombeiros, na saída do aeroporto do Galeão. Os rubro-negros comemoravam o título mundial.

Na quarta, 66.366 torcedores (com a óbvia exceção dos colorados), voltavam a sonhar com tal feito. Primeiro, o rubro-negro é assim. Ele é “oito ou oitenta”. Um otimista nato, alguém que sabe ser feliz. Que saboreia seus triunfos sem medo. Objetivos se superam em segundos de um olhar desviado, que aponta a Santiago. Feliz daquele que sabe sonhar.

Bruno Henrique dá vazão aos cada vez menores delírios de uma Nação. Um jogador que não escondeu no processo de sua negociação o quanto queria atuar pelo clube. Que vestiu o Manto Sagrado, forma com que os flamenguistas referem-se à sua camisa, e no primeiro clássico anotou dois gols (vitória contra o Botafogo). Que passou a somar gols em jogos importantes, a desafogar o time em contra-ataques precisos e, que mesmo em meio ao período turbulento vivido pelo clube no primeiro semestre, destacou-se individualmente e apresentou unidade com Gabigol em uma estrutura de equipe que custou a ter identidade tática.

Hoje, ela sobra. Se experts e analistas táticos ainda divergem sobre linhas, posicionamento de A ou B, e na combinação numérica que Jorge Jesus manda a campo, no popular o assunto está resolvido: “é Bruno Henrique mais 10”, “bola no Bruno Henrique que ele resolve”, “se bobear, o Bruno Henrique resolve”.

Na CONMEBOL Libertadores resolveu realmente. Se o Flamengo está nas quartas de final, a um empate de retornar às semifinais após 35 anos, uma significativa parcela está ligada aos três gols e quatro assistências do atacante na competição. Convocado para a Seleção Brasileira, o camisa 27 rubro-negro tem motivos de sobras pra garantir:

"Conte comigo, Mengão!"

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