Christian Lucchetti, o homem que não queria ser goleiro e segue defendendo aos 41 anos

Goleiro do Atlético Tucumán tem diabetes e queria jogar no meio de campo. Ele luta para chegar à Fase de Grupos

Ele se levanta, mede a glicemia e logo vem a injeção... Assim começa o dia. A diabetes não o afeta e ele vai treinar. Há um arqueiro na CONMEBOL Libertadores que gostaria de jogar de volante ou meia como Walter Erviti (ex-jogador do Boca, Independiente, Banfield, San Lorenzo, entre outros). Ele está na Primeira Divisão há mais de 20 anos, mas reconhece não ser apaixonado pela posição, apesar de ser eternamente grato aos três paus. Cristian Lucchetti defende as cores do Atlético Tucumán e, aos 41 anos, disputará a Copa pela terceira vez.

Buscar seu nome nas redes sociais não tem sentido, ele não existe. Não possui Instagram, Facebook ou Twitter. Ele não gosta de procurar seu nome no Google ou procurar as matérias em que ele aparece. Define-se como um homem tranquilo que em seu tempo fora dos gramados gosta de estar com sua família e tem uma grande distração: carros. Curte passar horas e horas consertando uma caminhonete guardada na garagem e identifica esse momento como terapêutico. Nesta quarta-feira, o Atlético enfrenta o The Strongest pelo jogo de volta da Fase 2 em Tucumán após a derrota por 2 x 0 em La Paz. Lucchetti, que na Bolívia teve que cumprir suspensão, cuidará da trave com muita emoção.


- O que significa para o Tucumán jogar novamente a CONMEBOL Libertadores?

- É algo muito legal para as pessoas. Eles vivem com grande ansiedade e entusiasmo. É também uma maneira de mostrar um pouco à América do Sul o que é o norte da Argentina, como é vivido. Esperamos que os resultados acompanhem a classificação à Fase de Grupos que sabemos que não será nada fácil.

- E para você pessoalmente?

- Na minha idade, é difícil de explicar. Em 2017, quando joguei, agradeci a todos os meus companheiros de equipe, porque, apesar de não se classificar para as oitavas de final, fizemos um grande esforço. Foi a primeira vez que um clube do Norte entrou em um torneio de tal magnitude e pensei que fosse o último. No ano seguinte, jogamos novamente e foi um presente do céu poder jogar a Copa novamente. E este ano voltamos. A realidade é que ter a possibilidade de jogar partidas internacionais nessa idade é um presente.

- Em que o Atlético Tucumán se destaca?

- Temos uma identidade de jogo, embora seja um grupo relativamente novo, estamos nos adaptando a novos jogadores. Tornamo-nos uma equipe dura e forte, principalmente quando jogamos em casa. Nossa localidade nos fez obter bons resultados, sem dúvida que este é o ponto mais alto que temos: jogar em Tucumán com nosso povo.

- Você já disse que não gostava de ser goleiro, como é isso?

- Sim, eu disse isso várias vezes. Não é que eu não goste de agarrar, mas gostaria de jogar em outra posição. Adoro jogar futebol, talvez não seja uma posição que atirar-se e defender. Também não é que eu não goste, mas eu preferiria jogar em outra posição. De qualquer forma, é algo pelo qual sou grato e me deu a chance jogar por muitos anos na primeira divisão.

- E como gostaria de jogar?

- Se eu não tivesse jogado como goleiro, gostaria de ter jogado como meia-atacante, ou volante mais solto. Atacante mais de lado. É uma posição que eu teria desfrutado um pouco mais.

- Estilo quem?

- Walter Erviti (haha), é craque.

- Você também disse que a diabetes nunca o impediu de fazer nada. Como você lida com isso? Quantas vezes você se injeta?

- É algo que, embora você deva ter mais cuidado do que o habitual e manter certos hábitos diariamente, a verdade é que isso não me impede de fazer nada. De fato, é algo que considero totalmente secundário e também me ajudou a ter uma certa disciplina em alimentação, cuidados, enfatizando coisas que se eu não fosse diabético, eu não faria. Talvez isso tivesse me prejudicado. Não como atleta, mas como ser humano. Essa dieta também me ajudou a prolongar a carreira. Treino todos os dias, posso fazer o que gosto e isso não me incapacita nem um pouco. A verdade é vejo como algo normal. Acordo todas as manhãs e me injeto, controlo a glicose no sangue entre 5 e 6 vezes ao dia, recebo insulina dependendo do exercício e da comida 3, 4 ou até 5 vezes ao dia. É uma rotina. Faz parte da minha vida. Isso não me influencia nem um pouco.


- Como é o seu dia?

- Treinamos de manhã. Levanto-me às 6:30 e tento sempre chegar uma hora antes do treino. Treino, venho para minha casa, almoço, tiro uma soneca... A soneca é bem sagrada. Às vezes vou à academia por um tempo. Eu também gosto de carros, há uma caminhonete que estou montando e é uma maneira de fazer terapia. Eu gosto de estar com minha família, com minhas filhas, estou muito calmo. Não gosto muito de sair para passear. Eu gosto de estar em minha casa, sou bastante básico.

- Como você se definiria?

- Um cara que nasceu para jogar futebol, que não gosta de perder. Sou competitivo em relação ao jogo, não gosto de perder nem gostava quando era menino e brincava com meu irmão. Sempre de maneira saudável. Sou um cara que curtiu a vida inteira o que faz. Sou grato a Deus por poder continuar jogando na minha idade. Eu sou do tipo quieto, de casa, da família. Simples. A verdade é que não tenho nada complicado, gosto e aprecio poder jogar futebol.

- O que você gosta de fazer no seu tempo livre?

- Estou assistindo documentários, programas sobre carros, History Channel, Natgeo, esse tipo de canal que eu costumo assistir na televisão. Não sou de ficar vendo a mesma coisa todo dia. Por outro lado, se estou ouvindo música, tendo uma filha adolescente e outra de dez anos, tenho que me adaptar à música deles e ouvir mais reggaeton e pop do que qualquer outra coisa. Eu gosto das séries do Netflix, quando eu era mais jovem, não havia Netflix, nem telefones celulares com tantas aplicativos e não se lia mais. Agora não leio muito há um tempo.

- E como você se dá com as redes sociais?

- Sou de usar o Netflix, baixo filmes quando viajamos. Eu não sou obcecado com as séries e outras coisas. Não tenho redes sociais, não uso praticamente nada. Não procuro notas minhas, não fico pesquisando no Google ou algo assim, então estou bem longe disso.

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