Capitão América: 'goleador', Bruno Henrique inicia sonho de erguer a Copa Libertadores pelo Palmeiras

Jogador de 29 anos veste a faixa e pode ser o segundo volante a erguer a Libertadores pelo Verdão. Ele tem recorde em média de gols pelo clube

Por Marcio Porto

Voltar a Barranquilla é como ir ao cinema para Bruno Henrique. Na cidade colombiana onde o Palmeiras estreia na Copa CONMEBOL Libertadores na noite desta quarta-feira diante do Júnior (COL), o volante de 29 anos mudou sua trajetória no clube. De um possível filme queimado por ter vestido a camisa do rival Corinthians no passado, conquistou os palmeireses pela arte de marcar gols, algo que virou sua especialidade. Ele anotou dois na vitória de 3 a 0 na estreia na competição ano passado, contra o mesmo adversário. 

Bruno Henrique marcou 16 gols com a camisa do Palmeiras em 89 jogos. Aproxima-se de se tornar um dos cinco volantes com mais tentos na história do clube (confira a lista abaixo). Na média, no entanto, já é o maior. Anota um gol a cada 5,56 jogos. É expressivo. 

Mas Bruno Henrique não quer ser goleador. Bruno Henrique quer ser César Sampaio, um dos cinco, mas não pelos gols, e, sim, por um gesto específico. O ex-volante é até hoje o único a levantar a taça da Libertadores pelo clube, há 20 anos, na conquista de 1999. Baita inspiração, que o volante espera concretizar no fim do ano, como contou nesta entrevista exclusiva ao Copalibertadores.com. Acompanhe o bate-papo com o capitão do Palmeiras:

Qual expectativa para a disputa de mais uma Libertadores?
Muito grande, né? É sempre muito boa, então a gente já vem se preparando desde o começo do ano, jogando o Paulista e agora começa. Estamos prontos para dar início à essa Copa tão esperada por todos.

A competição tem um gosto especial para você?
É o maior campeonato que a gente tem na América Latina, então é muito bacana de jogar mais uma vez. São poucos clubes brasileiros que têm a oportunidade de jogar durante o ano. Coroando nosso ano passado, tendo a chance de disputar, é muito bom. Espero que a gente possa iniciar muito bem e terminar o ano com o título.

Não haveria lugar melhor para estrear do que em Barranquilla?
É bacana esse lugar. Ano passado tive a oportunidade de estrear como titular na temporada, ter feito dois gols e a gente ter saído com a vitória. Claro que agora é outra história, jogo diferente, sabemos que o Júnior jogando em casa é muito forte. Tenho boas lembranças de lá, mas sabemos que teremos de trabalhar bastante para conseguir o resultado. 

Aquele jogo foi um divisor de águas para sua história no Palmeiras?
Sem dúvidas. Eu comecei o ano no banco de reservas, então naquele momento foi minha primeira oportunidade. Só tinha entrado no decorrer dos jogos. Também ter feito dois gols, na nossa estreia, nos deu uma condição de fazer uma grande Libertadores e ter uma participação boa, contribuir bem. Lembro com muito carinho daquele jogo.

Qual foi o gol mais marcante na Libertadores?
Os dois gols foram muito especiais, pelo momento que eu estava vivendo, foi muito bom, mas acho que eu ficaria com o do Colo Colo nas quartas. Fora de casa no primeiro jogo, a gente estava vivendo já as finais do campeonato, da Libertadores, pressão muito grande, então foi muito bacana e muito especial. 

Qual a importância desses números, de gols?
Trabalho bastante esse tipo de fundamento, a finalização de fora da área ou chegar finalizando na área, quando o atacante vai para o fundo, e eu chego como elemento surpresa. Ano passado, pude explorar mais esse tipo de jogada e fazer mais gols. Fiz gols importantes, e me deixou muito contente pelos trabalhos que eu fiz nos treinamentos acabaram dando certo. Espero repetir isso. Minha primeira função é primeiro de destruir jogadas e construir para o nosso time, fazer os meias jogarem. Mas quando tiver oportunidade de chegar lá na frente, fazer gols, vou tentar ajudar também. 

A conquista de 99, que agora completa 20 anos, serve de motivação especial?
Sem dúvidas. Aquele elenco, aquela época ficou muito marcada pelo título. A gente vai entrar esse ano com muita vontade para vencer. Todos os campeonatos vamos tentar vencer. Sabemos das dificuldades, é um campeonato muito difícil de se ganhar. Mas também sabemos da força do nosso time, a força do nosso torcedor, então temos tudo para fazer um grande ano e ser campeão. 

Só o César Sampaio levantou a taça da Libertadores pelo Palmeiras. Já conversaram sobre isso? 
Já, várias vezes, tive vários contatos, é um cara excepcional, um exemplo para todos nós jogadores, tanto dentro quanto fora de campo. E sem dúvidas ter o Cesar como inspiração, cara que erguei muita coisa pelo Palmeiras, é muito bom. Se acontecer, vou ficar muito feliz de ter a oportunidade de levantar essa taça. 

O Palmeiras está mais forte do que ano passado?
Acho que sim, está mais forte. Manteve todo o elenco, ninguém saiu e chegaram jogadores novos. Jogadores que somarão muito para a gente. Com certeza estaremos mais fortes para fazer um grande ano.

Libertadores pesou para sua permanência no Palmeiras?
Sem dúvidas, é um grande campeonato, ter a oportunidade de disputar  esse grande campeonato, sem dúvidas pesou na decisão de ficar aqui.

Já imaginou a cena de levantar a taça?
Passa pela cabeça. Ano passado passou várias vezes, por ser o capitão. Tive a oportunidade de levantar a taça do Brasileiro. O ano é muito longo, ano passado entramos numa fase que estava disputando três competições ao mesmo tempo e brigando pelas três. Espero que esse ano a gente possa fazer a mesma coisa, brigar pelas três e desta vez a gente possa conquistar esse título.
 

VOLANTES ARTILHEIROS DA HISTÓRIA DO PALMEIRAS

  1. Zequinha - 40 gols / 417 jogos
  2. Dudu - 25 gols / 610 jogos
  3. Galeano - 25 gols / 474 jogos
  4. César Sampaio - 24 gols / 307 jogos
  5. Magrão - 24 gols / 193 jogos
  6. Bruno Hernrique - 16 gols / 89 jogos

EM MÉDIA DE GOLS

  1. Bruno Henrique - média de 1 gol a cada 5,56 jogos
  2. Magrão - média de 1 gol a cada 8,04 jogos
  3. Sampaio - média de 1 gol a cada 12,7 jogos
  4. Zequinha - média de 1 gol a cada 10,4 jogos
  5. Galeano - média de 1 gol a cada 18,96 jogos

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