Athletico ou River? A Recopa dividida da família de Braian Romero no Monumental

Mãe, padastro e irmão do jogador do Athletico Paranaense se juntaram aos torcedores do clube brasileiro em busca do título inédito. Mas as raízes da família estão no Millonarios

"Braian! Braian!", grita Cecília lá do alto da arquibancada do Monumental de Nuñez. Mesmo com a distância que separa o anel superior do gramado, Braian Romero ouve e, ciente da presença ilustre, acena de volta com um sorriso enquanto aquece com seus companheiros de time. Pouco tempo depois, o jogador do Athletico Paranaense e seus familiares estariam envolvidos numa final intensa e muito especial de CONMEBOL Recopa contra o River Plate. 

As presenças de Cecília, seu companheiro Martín, padastro de Braian, e o irmão mais jovem do jogador, de 13 anos, seriam normais não fosse por duas razões: assistiram ao jogo no meio da torcida do Athletico no Monumental e possuem uma relação mais do que estreita com o River. 

Cecília e Martín são torcedores do Millonarios. O outro Romero, mais ainda. É torcedor e joga nas categorias de base do clube. Sonha em repetir a trajetória do irmão mais velho e se tornar um jogador profissional, oxalá no poderoso River. 

Nessas horas, porém, o sentimento de família fala mais alto. Cecília em nenhum momento teve dúvidas de onde deveria acompanhar o jogo e por quem deveria torcer, mesmo que Braian hoje seja reserva do Athletico e nem sequer tenha entrado na partida. Martín, o mesmo. "Claro que vamos torcer pelo Braian! E muito! Hoje e enquanto ele estiver lá, somos de Athletico! Barian está muito envolvido com a final, com tudo! Quer muito esse título", afirmou a mãe do athleticano, pouco antes de o jogo começar e quando os torcedores do Furacão já gritavam na arquibancada. 

Durante a partida, ficou clara a sinceridade do sentimento. Cecília não conseguiu esconder a tensão e vibrava com cada jogada positiva para o Athletico. Mais tímida, claro, do que os demais athleticanos, que tentaram fazer frente à poderosa torcida da casa. Havia gente de todas as partes, como da Florida, nos Estados Unidos, e de Curitiba, claro. Crianças, idosos. Todos emocionados. Com o fim do primeiro tempo, o 0 a 0 dava o título ao Furacão. Alívio! 

Torcida do Athletico Paranaense

O segundo, porém, foi mais tenso. A tensão ganhou um toque de desespero quando o árbitro assinalou pênalti para o River e Nacho Fernández abriu o placar após defensa de Santos. O baque foi grande e os familiares de Braian foram acometidos pela tristeza. Sinais de lamentações, olhos marejados, nada de palavras. O sonho estava sob risco. 

Torcedores do Athletico no Monumental

Depois do golpe, não demorou muito para o clube argentino, atual campeão da CONMEBOL Libertadores e vencedor de tudo na América, ganhar mais terreno e decretar nova conquista com um 3 a 0 acachapante. Não foi dessa vez. Mas a família Romero tem um aviso: ele não desistirá e o modo como terminou o jogo mostra isso. 

Braian foi um dos tensos durante todo o jogo e, fatalmente, um dos mais abalados com a perda do título. Durante o jogo, a cada pique para aquecer, virava o pescoço para espiar a partida e tentava passar instruções aos companheiros. No momento do pênalti, tentou dar ânimo ao goleiro Santos, que por pouco não garantiu melhor sorte ao Athletico. Ao fim do jogo, com River campeão, chorou. O choro de quem queria conquistar seu primeiro título atuando no Brasil. Mas a história não acabou para o jogador formado nas categorias de base do Acassuso, um modesto clube de Buenos Aires que atualmente joga a terceira divisão da Argentina.

Este ano, os parentes do jogador já estiveram duas vezes no Brasil para acompanhar o Athletico pela CONMEBOL Libertadores. Foi nas vitórias sobre o Tolima (1-0) e Boca Juniors (3-0). Essa última comemorada com mais força, justamente pela relação da família com o River, maior rival do Boca na Argentina. "Braian está adorando o Brasil e vai fazer de tudo para conseguir êxito lá. Estamos torcendo muito", diz a mãe. 

O próximo compromisso do Athletico em competições da CONMEBOL é justamente contra o Boca pelas oitavas de final da Libertadores. Desta vez, a família não terá nenhuma relação de carinho com o adversário. A torcida será ainda mais intensa. 
 

Fechar