Antes de nova decisão pela CONMEBOL Libertadores, Lucho González exalta amor pelo Athletico: 'Não me vejo em outro clube'

Capitão do Furacão explora sua relação com o clube e suas conquistas antes de iniciar o mata-mata contra o Boca Juniors. Ele ainda sonha com mais taças

Aos 38 anos, Lucho González dá seus últimos passos de uma carreira vitoriosíssima no futebol. Com contrato até o fim do ano com o Athletico Paranaense, é possível que ele pendure as chuteiras ao término do vínculo. No entanto, antes que as cortinas se fechem, o supercampeão tem tempo para sonhar com mais conquistas e colocará sua experiência e espírito vencedor à disposição do Furacão no duelo contra o Boca Juniors pelas oitavas de final da CONMEBOL Libertadores. A série será aberta nesta quarta-feira (24) às 21h30 na Arena da Baixada, e antes o Comandante abriu seu coração para falar de sua relação com o Athletico. 

Em Curitiba, capital do Paraná, Lucho encontrou o carinho e aconhego que o impulsionam a seguir com a dedicação demonstrada em toda a carreira. Primeiro a chegar ao CT, último a sair, na base do exemplo o argentino vai passando ensinamento aos mais jovens e liderando um clube que não cansa de ultrapassar barreiras. Ele ergueu a inédita taça da CONMEBOL Sul-Americana no ano passado e sonha em repetir a conquista da Libertadores, como fez em 2015 pelo River Plate, mas agora vestindo apenas vermelho e preto. Está preparado?

Em entrevista ao CopaLibertadores.com, Lucho contou como ainda consegue motivação para buscar o nível competitivo, como define sua relação com o Athletico e seu lado torcedor, da infância pelo Racing até os jogos em que fica de casa incentivando os companheiros pela televisão. Confira o bate-papo 

Paixão pelo futebol:
Eu tenho o futebol como uma paixão, né?! Eu acho que, ainda na minha cabeça, não me imagino sem ter vontade de treinar e participar de um jogo. Sou capaz de assistir qualquer jogo de futebol, gosto de assistir futebol, falo de futebol o tempo inteiro. O sentimento que eu tenho pelo futebol é muito grande e ainda não me imagino sem ele.

Peso dos títulos:
Sempre falo que tive a sorte de estar em grandes clubes e estou em um grande clube. Tomei como um desafio poder ficar na história desse clube, onde passei. Eu acho que a forma que você tem de ser lembrado é conquistando coisas, conquistando títulos, deixando uma boa imagem sempre. E, por sorte, em meus anos como profissional eu atingi isso. Acho que a Libertadores com o River e agora a Sul-Americana com o Athletico-PR podem chegar a ser os torneios diferentes que eu desfrutei muito mais. 

Lucho - taça da Sul-Americana

Identificação com o Athletico:
Três anos que estou no clube e tomei um carinho muito grande. Desde o primeiro dia que cheguei aqui fui muito bem tratado. Não só pelo clube, mas pelos jogadores e pelo treinador que estava no momento, que era o Paulo Autuori. E também por muita que está aqui no nosso dia a dia, que trabalha. Aqui é um clube muito organizado, você só tem que se preocupar em treinar e render bem dentro de campo, no dia do jogo. Acho que, muitas vezes, quando as coisas não saem como o treinador quer nos temos que pelo menos lutar e correr. Isso foi uma coisa que me identifiquei e sempre quis mostrar. Então, minhas palavras são sempre de agradecimento, minha ideia é encerrar minha carreira aqui. Estou muito identificado com o clube, é um vínculo entre eles e eu que segue vivo.

Última temporada:
A minha ideia é poder cumprir meu contrato até dezembro. E poder encerrar em uma boa forma, ajudar o clube de alguma maneira - seja dentro ou fora de campo. Acho que vai ser mais uma coisa física e mental, da cabeça, do que qualquer outra coisa. Mas não me vejo, não me imagino jogando em outro clube que não seja aqui. 

O legado:
Gostaria de poder continuar ganhando títulos. A gente sabe que esse ano temos um calendário muito importante, estamos competindo praticamente em todas as competições. Seria bom acabar o ano conquistando mais algum título. Eu acho que quando as coisas acontecem da forma que eu falei, você acaba sendo lembrado de uma boa forma. Minha ideia é deixar alguma coisa aqui em um clube que sempre fui bem tratado.

Lucho treinador:
Estou começando o curso de treinador, mas sabemos que não é uma profissão fácil, não é uma coisa fácil de lidar. A minha intenção seria essa, poder continuar no futebol. Como eu falei antes, gosto tanto de futebol que não me imagino fora, mesmo sabendo que ser treinador é muito difícil e tenho que estar bem preparado. Um dos treinadores que mais me marcou, que mais me identifiquei, foi Marcelo Bielsa, que foi treinador da Seleção Argentina e me deu oportunidade de jogar. É alguém que sempre tenta que os jogadores possam render mais, que o jogador não se conforme com o que conseguiu e que sempre tem algo pra melhorar. É um pouco parecido com estilo do Sampaoli, hoje em dia, que está todo mundo surpreendido com o modelo de Sampaoli, como o Santos está jogando e eu acho que o Sampaoli tem algumas características do Bielsa. Depois tem muitos treinadores hoje em dia: Paulo Autuori foi uma pessoa que aprendi muito. Não conheço o Guardiola, mas gosto muito do estilo que os seus times jogam. Todos os treinadores tentam tirar alguma coisa positiva e, logicamente, se num futuro eu for treinador terei minhas próprias características e sabendo que posso aprender com gente que já é treinador. 

Futebol Brasileiro x Argentino:
Ah, são jogos diferentes. Eu acompanho os jogos da Argentina, onde a intensidade é maior que aqui, em que você recebe a bola e tem meio segundo para pensar porque já tem dois ou três jogadores. Os árbitros deixam o jogo correr, não se apita tanta falta. Aqui os times são mais organizados taticamente, tecnicamente também acho que são superiores, mas na vontade algumas vezes equilibra. Esses times de qualidade, se você tem vontade e se corre os 95 minutos que o jogo dura acaba igualando com a técnica que o outro time pode chegar a ter. 

Profissionalismo de Lucho:
Tomei mais noção disso com 29, 30 anos. Teve um jogador argentino, hoje é treinador, que se chama Gabriel Heinze, que me tornou mais profissional. A partir desse momento, você sabe que a recuperação é mais importante do que o que você treina no campo e faz em um jogo. Acho que é o que me mantem ainda bem fisicamente para competir com os meninos que tem aqui, que são bons, que são rápidos e fortes. Eu passo muito tempo aqui no clube, é claro que eu gosto de passar, mas logicamente a recuperação é uma coisa fundamental para eu poder estar jogando ainda.

Argentino com mais títulos:
Messi é um extraterrestre, estamos na luta com Tevez também agora. O Carlitos acabou de ganhar um título com Boca. Espero que ele se aposente logo e me deixe continuar com essa marca. Mas também tem muitos argentinos com um grande futuro que vão me passar, mas, como eu falei, fico feliz de poder deixar essa marca. 

Lucho torcedor: 
O pior é ficar de fora. Muitas vezes, o treinador Tiago já sabe disso, eu prefiro ser relacionado e saber que não vou jogar nem um minuto. Posso aquecer com eles, pelo menos fico no banco, fico vivendo o dia a dia, ficar de fora é muito feio. Como torcedor eu sofro muito. Já me aconteceu de assistir Tolima e Wilstermann fora e eu, de verdade, sofri muito. Por saber que eu poderia ajudar de alguma forma, eu prefiro pelo menos estar no banco, sabendo que é outro que vai entrar. Mesmo assim, acabo falando pro treinador, se quiser me usar por uns 15, 20 minutos não tem problema. Sempre declarei minha torcida pelo Racing, meu pai sempre me levava no estádio. Eu falei por aí e fui mal interpretado, que ficou faltando na minha carreira foi jogar no Racing e a repercussão foi que eu queria voltar a jogar no Racing e não foi, sei que é uma coisa que não vai acontecer. Mas eu gostava muito do time, tinha tatuagem do time quando tinha 15 anos e ainda não era profissional. Quando fui jogar como profissional no Huracán tive que tampar ela, para não ter problema com a torcida do Huracán. Mas fui em muitos jogos, mesmo sendo jogador profissional, quando jogava fora. Quando voltava pra Argentina, tinha essa oportunidade de assistir o jogo do Racing também. Como falei: é meu time do coração. 

A tatuagem da Copa Sul-Americana
Bom, foi o primeiro título internacional do Athetico-PR também. Acho que tem um valor para a instituição muito grande e tomei a decisão de tatuar por me sentir parte desta conquista com todo grupo. É uma maneira de agradecer a toda torcida e o clube em si, e também porque gosto de fazer tatuagem. 

Tatuagem - Lucho González

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