Andrés D'Alessandro: o último camisa 10 do futebol sul-americano?

Meia argentino entrou no segundo tempo na partida contra o Alianza Lima, atuou da forma que mais está acostumado e ajudou o Internacional a vencer por 1 a 0 pela CONMEBOL Libertadores

Assim que chega ao Estádio Nacional, Andrés D'Alessandro desce do microônibus com um alto-falante gigante que entoa cumbias argentinas, vai direto para o gramado, cumprimenta Miguel Angel Russo - ainda vestido informalmente - e para perto do círculo central para observar a imensidão de cimento no coração de Lima. Odair Hellmann não o tem nos planos como titular, mas no final do aquecimento ele o adiciona a um exercício final no qual é necessário mais um jogador. Embora nunca tenha jogado no Peru, D'Ale senta no banco e todos o reconhecem. A princípio, a torcida do Alianza Lima o recebe com certa rejeição. Quando sai para o vestiário, pedem-lhe fotos: é impossível não reconhecer os bons jogadores.

Nas últimas partidas, D'Alessandro estava jogando aberto pela direita. Rafael Sobis ou Paolo Guerrero desempenharam o papel de centroavante e Nico López estava à esquerda. Aquela região da campo permitiu que ele controlasse com a perna esquerda para dentro e assim poderia lançar os atacantes. Mas no treino do dia anterior na Federação Peruana de Futebol, em um exercício informal, ele fica atrás do centroavante, como os meias-armadores clássicos. Por muitos anos, quando jogava no River, D'Alessandro foi nomeado como o único jogador capaz de cumprir o papel que Juan Román Riquelme fazia no Boca. O futebol, na ânsia de adicionar volantes marcadores, extinguiu a posição de armador do círculo central. Até que os craques reaparecem. 

D'Alessandro entra no segundo tempo e fica posiconado por trás de Sobis. Não ocupa muitos metros, mas três características o tornam fundamental: 
1- a técnica de controlar a bola sem deixá-la escapar; 
2- sua facilidade de se mover e encontrar espaços para receber; 
3 - a precisão para tocar e não perdê-la. 

"Um jogador de tão alto nível como D'Alessandro mudou o jogo", reflete na coletiva de imprensa Miguel Ángel Russo, e é claro que foi assim.

No primeiro tempo o Internacional foi uma espaçada, que não aproveitou o poder de seus atacantes ou a capacidade de estar em toda parte de Patrick, um extraordinário símbolo do que hoje é chamado de "box to box", ou seja, área a área. D'Alessandro muda isso. Ao jogar a bola, os brasileiros não a perdem e isso permite: primeiro, ter um ataque sustentado, um conjunto mais agrupado, com todos os jogadores mirados para o campo rival; segundo, estar mais perto da jogada, ter muitos jogadores para recuperar mais rápido e mais perto do campo do adversário.

O gol vem de uma bola parada e, nisso, D'Alessandro é indispensável. Embora o 10 evite o contato físico, devido ao grande número de golpes que recebeu em vinte anos de carreira, é impossível não cometer faltas nele. O incrível é que os jogadores do Alianza Lima não protestam quando o árbitro os cobra. É mais: eles se aproximam e o levantam do chão. Não importa o resultado ou quem seja: os meias como D'Alessandro, embora o contexto não os ajude, ainda assim, emocionam qualquer um.

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