Alex escreve sobre o Palmeiras-1999: 'Já se passaram 20 anos, mas parece que foi há 20 segundos'

Camisa 10 da conquista da Libertadores pelo Verdão escreve texto ao site CopaLibertadores.com para relembrar um dos títulos mais importantes do clube

Por Alex, o camisa 10 do Palmeiras-99

Falar da Libertadores de 1999, sem falar do início do trabalho, eu não consigo. A ideia da Parmalat, parceira do Palmeiras na época, era conquistar esse título. Título este que já tinha escapado por duas vezes na época da Academia, e com equipes fortes como as de 1993, 1994 e 1996, que não tinham alcançado também.

Nossa equipe começa a ser montada em 1997, quando ficamos com o vice-campeonato brasileiro. O que não nos deu a vaga para a Libertadores de 1998, ano em que vencemos a Copa do Brasil e assim obtivemos a vaga para o ano seguinte.

No mesmo ano de 1998, fomos campeões da Copa Mercosul, o que nos deu um pouco mais de conhecimento do que viria em 1999.

Alex e Rogério - Palmeiras 1999
Alex, à esquerda, com Rogério na noite do título

Caímos em um grupo equilibrado, com Cerro Porteño e Olímpia, do Paraguai. Para completar o grupo, a fortíssima equipe do Corinthians.Tinham três equipes brasileiras: o Vasco, como último campeão, entrou nas oitavas de final esperando o pior brasileiro.

Pela imprensa, éramos a terceira força. Na fase de grupos, tivemos uma campanha irregular. Seis jogos, três vitórias, duas derrotas e um empate. Saímos em segundo no grupo, atrás do Corinthians, e pegamos um lado da chave duríssimo. 

Nas oitavas, enfrentamos o Vasco e empatamos no Palestra Itália: 1-1. Fomos a São Januário com o rival invicto ali há vários meses. Todo já davam a classificação para o Vasco. Vencemos por 4-2 contra todos os prognósticos feitos antes da eliminatória. Deixamos o principal favorito ao título para trás.

Nas quartas, enfrentamos o Corinthians. Clássico local contra um time de muitíssima qualidade. Equilibradíssimo o confronto. Vencemos a primeira por 2-0 e perdemos a volta pelo mesmo placar. Nas penalidades, depois de muito nervosismo, passamos. Ali nascia a figura de São Marcos de Palestra Itália. De terceiro goleiro, ele iniciou um caminho a ídolo de primeira instância no clube.

Na semifinal, veio um campeoníssimo, a fortíssima equipe do River Plate. Duelo complicado, no qual os detalhes falariam mais alto. Em Buenos Aires, graças a Marcos e a um pouco de sorte, perdemos apenas por 1-0. O que nos deu uma confiança para reverter em casa.

Em casa, massacramos o River Plate. Vencemos por 3-0 e ainda tivemos outras variadas oportunidades de fazer mais gols. O clube mais uma vez estava na final da Copa Libertadores. A expectativa era enorme e todos queriam um resultado diferente. Que o título dessa vez não escapasse.

Finalíssima contra um Deportivo Cáli de uma qualidade técnica muito boa. Bons jogadores e tecnicamente muito qualificados. Perdemos novamente fora de casa e viemos para São Paulo confiantes numa reversão.

Começamos bem, mas aos poucos a tensão surgiu e nosso futebol dava lugar apenas a luta e dedicação. E uma briga enorme contra o tempo. Numa jogada muito disputada na área, o zagueiro deles mete a mão na bola. Pênalti! E lá vai Evair, o mesmo que seis anos antes tinha tirado o clube de uma fila de 18 anos. Mais uma penalidade, e ele com a frieza e categoria de sempre nos coloca na frente. 1-0!

Num lance isolado nas costas do Arce, Júnior Baiano faz uma penalidade. Zapata, num chute todo torto, empata. Brigamos contra o Deportivo e contra o tempo. Numa belíssima jogada de Zinho, que acha o Júnior pela esquerda, esse acha um cruzamento que passa por alguns jogadores, menos pelo Oséas. O mesmo autor do gol do título da Copa do Brasil, que nos colocou ali naquela condição, fazia o gol que nos dava a vitória e a chance de levar aos penais.

Ali começamos errando e a tensão cada vez mais alta. Eles perdem com Bedoya chutando na trave, com a bola passando nas costas do Marcos e indo embora. Explosão absurda!

Euller bate o último com uma classe irritante. Foi tão fraca a bola que quase não passa a linha.

Zapata, o mesmo do gol do empate, vai para a bola. Se ele perde, somos campeões da América. Ela bate e erra... a festa se inicia e estamos comemorando até hoje. Já se passaram 20 anos, mas parece que foi há 20 segundos. 

Vitória espetacular!

Parabéns ao Palmeiras por aquela noite!

INESQUECÍVEL!

Palmeiras - Libertadores 1999

Fechar