A Copa da Minha Vida: Pepe relembra virada do Santos na Bombonera para ganhar a Libertadores de 63

Aos 85 anos, integrante do histórico ataque do Peixe de Pelé traz as deliciosas recordações da final em que brasileiros superaram o poderoso Boca Juniors fora de casa

A cerca de 60 quilômetros da capital São Paulo, em um apartamento na Ponta da Praia, em Santos, reside uma das mais carismáticas e incríveis memórias do futebol brasileiro e mundial. Na calmaria litorânea, José Macia, o Pepe, desfruta das lembranças que o alçaram ao patamar de lenda e as compartilha com a alegria tão inerente ao Santos, dos maiores clubes do planeta. 

Nas recordações de Pepe, do alto de seus 85 anos, a CONMEBOL Libertadores ocupa lugar de grande destaque. Foi na maior competição da América que o Santos da década de 1960 reforçou sua inclinação ao protagonismo mundial. O Canhão da Vila, como ficou conhecido pelo potente chute de canhota, foi integrante do lendário ataque santista considerado por muitos até hoje o melhor que a Terra já viu: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Juntos, conquistaram duas Libertadores, de 62 e 63, e uma delas é tema do novo episódio de "A Copa da Minha Vida" - a estreia foi com Andrés D'Alessandro.

Vem das lembranças de Pepe a histórica final da edição de 63, entre Santos e Boca Juniors-ARG. Campeão de 62, o Peixe já entrou nas semifinais do ano seguinte, como previa o regulamento, e precisou bater o poderoso Botafogo de Garrincha antes de encarar os argentinos em uma verdadeira batalha do bom futebol. 

"A Libertadores da minha vida foi a de 63. Era muito difícil ganhar do Boca, principalmente na Bombonera. Quem não conhece a Bombonera pode ter certeza que é o estádio mais difícil de se jogar. A torcida fica em cima o tempo inteiro incentivando o time deles e vaiando o time adversário. Logicamente eles tinham interesse em ganhar, de ser campeões da América do Sul", recorda Pepe.

A mística da Bombonera que perdura até os dias de hoje não é por acaso. A atmosfera do estádio em Buenos Aires era capaz de assustar até mesmo o Santos de Pelé. Mas não de intimidar. 

O Peixe viajou à capital argentina com a vantagem de ter vencido o primeiro jogo por 3-2 no Maracanã, com dois gols de Coutinho e um de Lima - o lendário atacante Sanfilippo anotou os gols do Boca. Na decisao, a equipe brasileira se deparou com um cenário nada animador, como Pepe conta, pela força do adversário.

"O campo da Bombonera já não era bom, fizeram questão de deixar pior ainda, para evitar o toque de bola e a qualidade individual dos jogadores do Santos. Uma marcação individual forte e até agressiva. Além de terem muita qualidade, eles eram muito fortes e pegavam juntos. Eram os melhores jogadores da Argentina. Hoje o Boca vende jogadores para a Europa para faturar. Mas na ocasião, eles tinham um grande time, que era muito difícil de ser batido lá. Por isso, essa partida foi uma das mais marcantes da minha vida, essa virada", afirmou.

O Boca saiu na frente novamente com Sanfilippo, mas imagens raras e impressionantes da época mostram um Santos no ataque e pressionando. Coutinho tratou de deixar tudo igual e no fim o Rei Pelé virou o jogo e consagrou o Santos bicampeão da América com a vitória por 2-1. Era o triunfo outra vez do melhor ataque do mundo. 

Santos - especial Libertadores - Sánchez, Pepe e Mengálvio

"E eu tenho a satisfação de dizer que fiz parte muito tempo nesse ataque na ponta esquerda. Eu brincava que era o único cara pálida desse ataque. Era Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Mas o Santos também era um time forte, time valente, brioso, que jogava tanto em La Bombonera como na Rua Javari, em Mogi Mirim ou Sorocaba. Era um time guerreiro com uma defesa forte e um ataque excepcional", relembra Pepe.

"Nós demos a volta olímpica perante o assombro dos argentinos. Não era muito comum os torcedores do Brasil irem lá, porque realmente o pau comia", completou.

Bicampeão da América e depois do Mundo, Pepe encerrou a gloriosa carreira como segundo maior artilheiro da história do Santos com incríveis 405 gols. Só atrás, claro, de Pelé, que anotou mais de mil. Uma lenda do futebol que ajudou a construir a rica história da CONMEBOL Libertadores.

"Sem dúvidas, a de 1963 foi a Libertadores da minha vida!"

Pepe - A Copa da minha Vida

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